CORVINAS

Batem Leve, Levemente…

Texto: Rui Santos e Carlos Abreu
Fotos: Autores

PESCAR ÀS CORVINAS COM AMOSTRAS É ESTAR SEMPRE “COM O CREDO NA BOCA”. A CALMARIA DAS ANIMAÇÕES PAUSADAS E LENTAS CONTRASTA COM FERRAGENS VIOLENTAS. GERALMENTE COM PEIXES DE BOM TAMANHO E QUE NOS FAZEM A VIDA NEGRA.

É sobre a pesca a este peixe nos grandes rios portugueses que nos vamos debruçar, pescando com vinis a partir de embarcação.

Predador implacável, a corvina é um dos peixes mais cobiçados dos últimos tempos nos nossos grandes rios do sul. Desde o Tejo ao Guadiana, passando pelo Mira e Arade, são muito frequentes exemplares para lá de XL, que se capturam exemplares que procuram estes cursos de água para se reproduzirem, desovarem e beneficiarem da quantidade e variedade alimentar que os rios com estas características dispõem.

Se a sua captura a partir de terra não é “um bicho-de-sete-cabeças”, a partir de embarcação pode ter-se acesso a locais privilegiados, onde a certas horas e ocasiões, as corvinas poderão estar estacionadas. O que propomos é uma revisão destes conceitos de maneira a que aproveite ainda melhor esta temporada e apanhe uma corvina de sonho!

ONDE PARAM AS CORVINAS?

Esta é sem dúvida a pergunta que os pescadores fazem sempre e para a qual querem sempre uma resposta, que nem sempre é dada. No entanto há uma série de aspectos para os quais se deve prestar atenção e que, com um pouco de paciência e combustível no depósito nos podem ajudar a identificar locais com potencial para serem bons pesqueiros.

Já anteriormente falámos de alguns grandes rios onde se podem encontrar corvinas e, se analisarmos com atenção cada um deles perceberemos que são bastante distintos uns dos outros, O Tejo e o Mira são sem dúvida os casos mais contrastantes; Pese o facto de ser um rio de maior dimensão, o Tejo tem uma coisa que o distingue de todos os outros e que são os braços e baías que apresenta no seu troço terminal de estuário, subentenda-se.

Desde o Seixal, Alcochete, passando pelo Montijo e Barreiro, existem braços que, só por si, já têm uma dimensão igual ou superior ao leito do Mira (Alentejo) ou do Arade (Algarve). Nestes locais as condições são bastante distintas e é isso que vamos analisar. Normalmente, para pescar corvinas com amostras é conveniente que as águas não corram muito, de maneira a facilitar o trabalho lento das amostras.

Daqui se depreende que as marés curtas serão as melhores. No entanto não é bem assim e se no caso do Tejo só funciona quando falamos do canal principal, nos braços e baías é sempre melhor pescar com marés grandes, sendo a explicação o facto de a água entrar com menos força, perpendicularmente ao leito do rio.

No entanto, no Mira e Arade, rios bastante mas estreitos, as corvinas pegam melhor com marés grandes. Esta é a parte mais bonita e trabalhosa da pesca: perceber em que marés se devem pescar as corvinas, mas já aqui deixamos dicas preciosas e que certamente ajudarão.

Uma coisa é mais do que certa: as corvinas pegam bem uma hora antes e por vezes uma hora depois da preia-mar.

Não que não se apanhem a vazar, mas a encher é muito mais certo. Por vezes é como se costuma dizer “meia hora à Benfica”…

UM DETALHE IMPORTANTE

Interessante é darmos muitas vezes com as corvinas nos fundões. E não parece ser muito difícil perceber porquê; é nessas zonas mais fundas que podem ter apenas uma meia dúzia de metros que se consegue atenuar mais a forte corrente das marés grandes e como já vimos, trata-se de um peixe que pega melhor em animações lentas… muito lentas.

Exemplo disso é o facto de praticamente só se conseguirem ferrar corvinas no rio Tejo (propriamente dito) nos fundões durante as marés maiores. Mesmo nas marés curtas é nesses “buracos” mais fundos que se concentram mas aí a actividade pode ser muitíssimo menor. Em tom de comparação diga-se que no Arade e Mira as marés curtas já não são tão boas…

Os dados estão lançados e cabe ao pescador fazer a prospecção do rio onde for pescar para perceber, onde estão os fundões para depois insistirmos em diferentes marés para saber quais são as melhores para pescar às corvinas.

O PESO… PESADO

Na nossa modesta opinião, para pescar de barco, os vinis são a aposta mais recomendável. O grande segredo que não é segredo nenhum é que as animações devem ser tão lentas quanto possível e para isso precisamos de acertar num peso de cabeçote certo para cada ocasião.

Então como acertar nesse peso? Ao contrário de outras pescas em que pescar o mais leve possível é a recomendação, neste caso das corvinas pode ser preferível “carregar” um pouco mais no peso do cabeçote.

A corvina por vezes quer o isco mesmo parado e se estivermos a pescar leve num fundão mas com marés grandes, a amostra vai certamente levantar e fugir da trajectória de ataque da corvina.

Gostava de referir para quem nunca viu que a corvina é um predador diferente do robalo, sendo bastante “traiçoeira”, não se importando de atacar a presa pela cauda, ao invés do robalo que ataca de lado ou “à cabeça”. Mais um motivo para pescar no fundo e muito, muito lentamente. sempre de maneira a que a pesca fique parada no fundo, se assim o desejarmos.

Para este facto alertamos que a corvina à medida que cresce fica com os olhos mais colocados para trás, perturbando a sua visão.
Será que é por este motivo que levam mais tempo a identificar as presas e preferem Vinis
maiores, que imitam mais vibrações? A verdade é que preferem sempre (ou quase sempre) vinis maiores.

INOVAÇÕES E BOAS OPÇÕES

Os materiais têm evoluído e sem dúvida que isso na pesca é sempre melhor para o pescador do que para o peixe. No nosso mercado temos uma oferta muito satisfatória de vinis mas, como já referi a propósito dos robalos, uma oferta menos boa de cabeçotes ou jig heads.

Seja em que locais pescar, é conveniente dispor de um sortido de cabeçotes variado, que vá desde 30 aos 220 gramas!

No entanto há um detalhe que é bastante importante, sobretudo se tivermos em consideração que podemos apanhar uma corvina com três ou com trinta quilos; Esse detalhe é o anzol e a preferência vai sempre para um anzol articulado, isto é, que se apresente solto de movimentos em relação ao cabeçote propriamente dito. Tal como a fateixa atada a uma argola do cabeçote e que fica espetada no dorso do vinil, o objectivo é que, a cada cabeçada da corvina, o anzol não se solte, indo para onde vai a cabeça da corvina.

Se estivesse fixo ia desgastar a boca rígida do peixe, rasgar a pele e o peixe acabava por se soltar.
Algo que importámos recentemente da pesca do achigã foi a sonoridade dos cabeçotes. Já o tínhamos feito com a ajuda de um grande amigo — Manuel Pedro, desta feita, a ideia foi colocar uma câmara dentro do cabeçote de maneira a que emitisse sonoridades de diferentes frequências quando embatesse com o fundo, pedra ou estruturas. Posso dizer que o resultado é incrível; se não conseguirem fabricá-las recomendo que comprem câmaras de esferas que se introduzem no vinil, à semelhança do que é feito na pesca ao achigã.

NÃO FACILITAR…

Falta apenas falar da cana, carreto e linhas. Para quem pesca de barco não há necessidade
de optar por uma cana muito comprida, sendo os 2,10 metros, uma medida mais do que suficiente, pese o facto de ter de possuir uma ação que permita o uso dos cabeçotes com os pesos referidos. Existem inclusivamente certos modelos de canas para achigã com estas características e com um preço relativamente acessível.

Quanto aos carretos, podemos optar por algo entre 3000 e o 6000, sendo o mais consensual o tamanho 5000, obviamente de boa qualidade e com uma embraiagem que permita uma regulação afinadinha, e isto caso optemos por pescar mais fino.

Uma última referência a este propósito e que é o uso das linhas; no carreto o mais vantajoso será optar por um multifilamento entre o 0.20 e 0 0.25mm; na ponteira devemos optar por algo sempre superior ao 0.45mm. Pescar mais fino e em zonas que não nos ofereçam espaço de manobra pode ser dramático e não há necessidade de andarmos a ferrar peixe e depois deixarmos piercinqs na boca dos mesmos. Não facilite pois pode perder o peixe da sua vida.












Cabo Sardão


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