Eging Embarcado

Pesca dos meses frios!

Texto: Hugo Modesto
Fotos: Autor

Lulas, chocos e polvos também nos oferecem momentos agradáveis de pesca.

Especialmente se recorrermos às novas técnicas com materiais específicos.

A chegada do Inverno trás consigo a aproximação e aumento de cefalópodes na costa, e nós pescadores passamos a ter mais uma opção para as nossas saídas de pesca.

O eging é mais uma técnica com “berço” no Japão.

Egi, nome Japonês para aquilo que vulgarmente chamamos de “palhaço”, neste caso trata-se de um modelo específico para este tipo de pesca, onde não é necessário o recurso a uma chumbada ou uma toneira como na pesca à lula ancestral.

Mudam-se os tempos…

Até agora, esta pesca era praticada maioritariamente em águas de baixa profundidade e desde a linha de costa, queríamos usar apenas o nosso palhaço sem adição de chumbo.

Recentemente entraram no mercado artificiais com mais peso, apropriados para a pesca de maior profundidade. A esta nova família dá-se o nome de tip run e foram concebidos especificamente para a pesca de cefalópodes em embarcação à deriva.

Estes palhaços com mais peso permitem pescar em cotas que podem variar entre os 10 e os 30 metros de profundidade, a velocidade de afundamento nestes modelos aumentam consideravelmente em relação aos seus “irmãos mais velhos”, característica essencial para esta pesca.

Nesta disciplina abandonamos as velhinhas linhas de mão que sempre foram usadas na pesca a cefalópodes de barco e passamos a usar uma cana e um carreto.

Já existem no mercado conjuntos específicos para o eging, não sendo estritamente obrigatório o recurso a estes, um simples conjunto de spinning resolve.

As canas devem ter uma ação que permita lançar o artificial e é aconselhável que seja do tipo MH ou H, importante para efetuar as animações desejadas, com um comprimento compreendido entre os 2,20m e os 2,50m e ação de 20 a 40 gramas.

A escolha de material específico ajuda bastante a ganhar em sensibilidade, algo muito importante no eging.

Nas canas específicas a ação aparece representada pelo tamanho dos artificiais (ex: egi 3.0 a 4.0) e a sensibilidade da ponteira não deverá ser desprezada.

Os carretos dependem da marca e ou usamos modelos de tamanhos entre o 2500 e o 5000, munidos de multifilamentos de baixo diâmetro (0,12mm e 0,16mm).

Até mesmo nos carretos existem modelos “próprios” que têm como distinção a bobine shallow que permite o uso de multifilamentos de diâmetro reduzido sem a necessidade de ser usado um enchimento.

A importância de
saber pescar em
função da deriva é
meio caminho andado.
O resto é sensibilidade
e uma boa escolha de
amostra.

Afinar a embraiagem

A embraiagem deve ser regulada para a mínima tensão possível (não embrear a quando da animação); esta dica pode fazer a diferença entre vir nos alfinetes do artificial apenas um tentáculo e vir o animal.

Os cefalópodes em fuga movem-se para trás (sentido oposto a cabeça) e a sua hidrodinâmica está concedida para esse tipo de deslocamento mas no caso de ferrar um exemplar o que acontece é precisamente o oposto, o “bicho” passa a ser puxado no sentido dos tentáculos, o seu corpo faz efeito de para-quedas exercendo uma tensão maior, levando a que possa haver a rutura de tentáculos, para evitar servimos da embraiagem do nosso carreto.

Como na maioria das técnicas, usamos uma ponta de monofilamento preferencialmente fluorocarbono de diâmetro 0,23mm até 0,28mm dependendo do tamanho dos exemplares e da visibilidade da água.

Os palhaços à lupa

Os palhaços do tipo tip run são maioritariamente de tamanho 3.0 (9cm) e 4.0 (12cm), ocasionalmente existindo em 4.5, os pesos estão compreendidos entre os 30 e 40g. Ao nível das cores existe uma infinidade de combinações e estão subdivididas.

Existe a cor base e as cores de sobreposição que dão os efeitos aos artificias.

A cor base será determinante no sucesso da pesca; esta é a cor que fará com que a silhueta do artificial seja mais ou menos visível.

De noite devemos usar artificial de base vermelha e roxo nas fases da lua compreendida entre o quarto crescente, lua cheia até ao quarto minguante.

A partir de quarto minguante até ao quarto crescente o fluorescente como base será sinónimo de sucesso.

De dia, bases de cor roxa e rosa continuam a ser eficazes nos crepúsculos. À medida que o sol nasce ou começa a descer, bases douradas e laranja devem ser usadas para tirar proveito das suas boas propriedades de reflexão em baixa luz solar. Quando o sol fica mais alto, bases azuis e verdes mostram-se muito efetivas.

Durante o meio do dia (10h00-15h00), bases pretas e brancas dão uma aparência natural, tirando partido de suas propriedades de refração.

Bases “mármore” e de arco-íris dão um padrão de refletividade que funciona como uma grande capacidade atrativa em seu redor; bases prateadas têm boas propriedades refletivas e acima de tudo imitam uma presa natural; bases florescentes perdem a sua eficácia em condições de luz abundante, mas superam-se em dias nublados, onde a luz UV ainda penetra as nuvens.

A pesca à deriva

Tratando-se de uma modalidade de pesca à deriva, devemos ter atenção aos dias com baixa intensidade de vento e corrente, mas especialmente ao vento. Em ação de pesca vamos pescar do lado da força que faz derivar a embarcação, por exemplo se o vento é de norte, pescamos do lado norte.

Lançamos o artificial nesse bordo e esperamos que atinja o fundo; iniciamos agora a animação com quatro ou cinco fortes golpes de ponteira e simultaneamente recuperamos fio do carreto. Terminado este momento de “animação” segue-se o momento chave, colocamos a nossa cana em posição vertical (sem recuperar), fazemos o artificial deslizar tranquilamente e sem movimento durante oito a 10 segundos.

É neste período que acontecem maioritariamente os ataques.

Se não sentirmos nada repetimos o primeiro passo e novamente voltamos à espera de qualquer sinal na nossa ponteira; depois da segunda repetição voltamos ao início, novamente artificial até ao fundo e repetimos este procedimento o número de vezes possíveis sem que a nossa linha fique muito distante do barco e percamos a sensibilidade de quando o palhaço chega ao fundo.

Em ação de pesca vamos pescar do lado da força que faz derivar a embarcação, por exemplo se o vento é de norte, pescamos do lado norte.

Cores de sobreposição

As cores de sobreposição são também muito importantes, fazendo com que os artificiais adquiram semelhanças às cores de peixes reais existentes na zona. Outras vezes porém, dão aos nossos artificiais tonalidades de criaturas estranhas e não conhecidas no meio natural.

Uso no geral as cores naturais em condições de água limpa e de pouca atividade. Quando a água é mais suja então recorro às cores mais “artificiais” usando o raciocínio do que se passa quando pescamos à noite com pouca luz lunar. Ao longo das jornadas vamos nós próprios entendendo melhor as combinações e os resultados adquiridos pois na pesca não existem verdades absolutas.

Outra solução…

Outra solução ao nível das animações, mas só aconselhada em fundos de areia e especialmente em alturas de pouca atividade, é a animação em “dentes de serra”, seguindo de pausas em que o palhaço descansa inanimado no fundo, momento em que geralmente se dão os ataques.

Realço a especial atenção que devemos ter durante o momento de pausa, ao mínimo toque devemos ferrar. Muito frequentemente, as lulas e os chocos antes de atacar o artificial lançam os tentáculos mais compridos, e muito subtilmente sente-se um ligeiro toque detetado pela ponteira da nossa cana, esta deteção só será possível estando concentrados na ponteira.

Terminada a “animação” segue-se o momento chave, colocamos a nossa cana em posição vertical onde fazemos o artificial deslizar tranquilamente. É neste período acontecem maioritariamente os ataques

Sem dúvida que com o eging, “nasceu” mais uma técnica e recriou-se uma pesca tornando-a mais desportiva e maximizando em muito o prazer nas capturas.

Neste início de época já houve alguns amantes das linhas de mão que já se renderam a esta técnica e não vão para o mar sem levar as canas e as suas caixas tornaram-se bem mais leves.

Experimentem e certamente entenderão o entusiasmo com que me converti também!


No prato são uma maravilha…. aqui vos deixo uma sugestão muito saborosa!!!

One Reply to “Eging Embarcado”

  1. Boa tarde.
    Leio e vejo atentamente a maior parte dos artigos sobre eging, desde que esta modalidade se deu a conhecer.
    É de enaltecer a Vossa clareza nas descrições sobre o básico, para os que querem iniciar a modalidade.
    No entanto, os palhaços” artificiales/ pajaritos” etc, têm medidas específicas, desde o 1,6, 1,8 …até ao tamanho enorme nas capturas profissionais. As medidas que colocaram na explanação, não estão correctas. Sendo as medidas standard 3.0, 12cm e os 4,0, 15 cm. Continuação de boas publicações

    Boas proas e melhores lances

    José Fernando Machado

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