Dicas para pesca às Douradas (2ª Parte)

O que lhe pode estar a passar ao lado…

NA CONTINUAÇÃO DO QUE FIZEMOS NA EDIÇÃO PASSADA, E PORQUE ELAS AINDA ANDAM AÍ, CONTINUAMOS A ENUMERAR ALGUNS ASPETOS QUE NÃO LHE PODERÃO PASSAR AO LADO PARA FAZER BOAS PESCAS ÀS MANHOSAS DOURADAS.

TRATA-SE DE PEQUENOS ASPETOS QUE, TODOS SOMADOS, PODEM CERTAMENTE AJUDÁ-LO A APROVEITAR AS SUAS SAÍDAS DE PESCA A UM DOS PEIXES MAIS TÉCNICOS QUE TEMOS NAS NOSSAS ÁGUAS, PEIXES QUE NÃO-RARAMENTE NOS POE A CABEÇA EM ÁGUA.

SOLUÇÃO…NA PONTA DOS DEDOS

Uma forma de nos apercebermos se a chumbadinha atingiu o fundo é quando a linha pára de sair do carreto. No entanto, por ação da força da aguagem, vento, ou ambos, a linha pode continuar a sair enganosamente, estando já a chumbadinha no fundo, as douradas a comerem e nós a pensar que a isca ainda não chegou ao fundo.

Uma das formas de o evitar é baixar a ponteira da cana obrigando-a a ficar ao rés da água para evitar o vento e pressionar ligeiramente a linha que sai do carreto com o polegar e indicador para evitar o mais possível o efeito da aguagem.

Este último aspeto de pressionar a linha também vai fazer com que a chumbadinha não fique tão afastada do anzol, algo que vai aumentar a nossa sensibilidade, tão importante nesta técnica, sobretudo às manhosas douradas.

“kit de unhas”, isso só vem com o tempo… ou não.

PROCURE PONTOS DE REFERÊNCIA

Se as douradas andarem no fundo é precisamente no fundo que teremos de insistir. Para isso é importante perceber que a pesca está no fundo, seja a chumbada quando pescamos na vertical, seja a chumbadinha, quando usamos esta técnica.

Se a nossa sensibilidade se apoiar na visualização dos toques, a partir daí, e quase em ritmo de conta-relógio, devemos colocar a ponteira num plano que nos permita visualizar os mesmos. Como sabem, os toques por vezes são muito subtis e quase impercetíveis daí que seja importante “lê-los” de imediato que, numa situação normal, sobretudo com muita dourada miúda se iniciam mal o isco bate no fundo.

Dependendo da luminosidade do dia, contrastar a ponteira com o céu é uma ótima solução, nunca elevando em demasia a ponteira pois dessa forma perde-se algo muito importante: o ângulo de ferragem. Se analisarem ainda mais a fundo verão que se a cana estiver muito na vertical começam a perceber menos bem os toques. O ideal é manter a cana numa posição que vá de um ângulo abaixo da horizontal até sensivelmente aos 45º.

O “KIT DE UNHAS”

Mais uma vez as mãos desempenham um papel importante na pesca das douradas e não apenas para iscar ou partir os caranguejos. O chamado “kit de unhas” é importante, sobretudo em embarcações MT onde, pelas “leis da casa”, nos calha um pesqueiro que não os da ré e queremos pescar à chumbadinha.

Correndo a aguagem para a ré é natural que os pescadores que aí pesquem tirem mais proveito da situação. Nessas condições ou se tem forçosamente de pescar na vertical ou, para os mais teimosos da chumbadinha, se tem de recorrer a outras soluções para ferrar mais eficazmente mas para ISSO como Vimos, é importante visualizar os toques na ponteira.

Se não o conseguirem fazer, a sugestão é colocar o indicador a prender a linha; idealmente até podem recorrer a estes dois métodos em simultâneo para lerem melhor os toques e ficarem com a perceção de como está a dourada a comer. Ter esta noção é algo que tem a ver com a sensibilidade e experiência de cada um e muito difícil de explicar num barco, quanto mais nestas linhas.

Só para dar um exemplo, certos toques mais secos e com paragens mais largas entre si podem significar que a dourada abocanhou o caranguejo; ferrar de imediato pode ser um erro pois estamos a tirar a isca da boca do peixe, algo fácil de acontecer se houver muita linha entre a chumbadinha e a isca.

O que se recomenda nestes toques é que se sinta o peso da pesca e se este não se fizer sentir é porque a dourada abocanhou a isca e levantou a chumbadinha.

O que há a fazer é esticar a pesca lentamente até sentir a linha quase esticada e só aí ferrar. Isto é apenas um exemplo das muitas situações com que podemos deparar… pois há mais. Mas é tudo uma questão de sensibilidade.

PONTEIRAS

A maior parte dos pescadores “batidos” na pesca das douradas prefere o uso de ponteiras de fibra de vidro maciça. A ideia é visualizar os pequenos toques das douradas mas para que o excesso de sensibilidade não se torne um problema temos de saber escolhê-las e não é à toa que as boas marcas disponibilizam várias ações para fazer face às mais diversas situações.

Pescar com uma ponteira demasiado sensível com um mar agitado pode ser uma situação complicada e que obriga a um esforço muito maior do pescador para compensar o efeito da vaga de maneira a que a ponteira não esteja sempre a dobrar.

A regra é “nem tanto ao mar nem tanto à terra”. Mares muito estanhados requerem ponteiras sensíveis e quanto maior a agitação menor deverá ser esta sensibilidade.

Se têm um amigo que pesca sempre com uma cana de spinning e tem ótimos resultados certamente que isso se deverá a um bom “kit de unhas”, isso só vem com o tempo… ou não.

ENGODAGEM

Pesque-se ou não em M T, engodar é importante por vários motivos. O primeiro e mais óbvio, é manter as douradas debaixo do barco; a segunda é fazer os peixes subirem e comerem na descida. A dourada quando come na descida é muito mais franca, mais bruta e por isso mesmo esta situação simplifica mais a vida ao pescador.

Quando isso acontece é importante tirar partido da pesca da chumbadinha e explorar todas as camadas de água até perceber onde o peixe está a pegar.

Mais uma vez pressionar a linha com o polegar é importante e, de quando em vez, devemos travá-la para colocar a isca numa determinada cota e perceber se o peixe aí está. Se não estiver, deixa-se sair mais uns metros de linha até se sentirem as douradas que, quando andam desta maneira “até puxam por um homem”!

DOURADAS OU NÃO?

Em muitas das nossas jornadas há muitas ocasiões em que as douradas “fecham a boca”. É um facto. No entanto sentem-se alguns toque que pensamos serem de douradas e continuamos com o mesmo afinco pensando que o peixe continua a comer e não passando a outro plano alternativo.

Se o isco em questão for o caranguejo partido, se não forem douradas que o andam a comer o isco aparece chupado no interior, as suas partes moles, pois a parte rija volta presa ao anzol. Se forem douradas isso não acontece e não volta nada para cima, excetuo se forem outros clientes como raias, cações ou peixe-porco. Já agora, nessas alturas mais paradas experimentem iscar com um caranguejo inteiro e sejam pacientes…

OS DETALHES CONTAM…

São muitos os detalhes a ter em atenção na pesca das douradas. Estar atento e interpretar cada situação é uma vantagem. Perceber a aguagem, se ela existe ou não, ter a noção da velocidade de queda do caranguejo e consequentemente da nossa pesca, pescar perto, pescar longe, tudo isso faz parte de um exercício que requer foco, concentração.

Não saia de terra com ideias concebidas, que só vai pescar na vertical, ou só à chumbadinha: mente aberta! Duas coisas vos alerto e que podem ter como asseguradas:

(1) se não houver aguagem – por pouca que seja – a pesca da chumbadinha não funciona…esqueçam-na;

(2) o resultado de uma pesca não é como começa mas sim como acaba… façam por isso.


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