Pesca Embarcada na GALEGA





Texto e Fotos: SÍLVIO SANTOS

Destino de muitas embarcações de recreio para a prática da pesca desportiva, a “Galega” é sem dúvida uma área com muitos trunfos dados na pesca embarcada aos chamados “diversos” e não só, esta é também a grande pedra do Norte para a pesca dos tão cobiçados pargos. Para a conhecermos um pouco melhor o nosso amigo Sílvio Santos, atleta da selecção nacional e operador marítimo – turístico, vem nos mostrar o potencial e alguns segredos deste mítico pontal localizado a cerca de 15 milhas de Aveiro.

Das Marinas das zonas de Aveiro, Porto e Matosinhos, barcos particulares e marítimo-turísticos, sempre que podem e as condições atmosféricas o permitem, marcam a sua presença nos diversos pesqueiros que a “Galega” possui. É uma área que tem os seus pesqueiros mais próximos a 14 milhas da Barra de Aveiro e a 19 milhas da Barra de Leixões. O “Pontal da Galega” situa-se em latitude entre 40° 48′ N e 40° 55 ‘N, em longitude entre 8° 52 “W e 9° 01 “W. Note-se que é uma área considerável, tendo mais ou menos em longitude 9 milhas e em latitude 7 milhas de extensão. Assim, proporciona ao pescador desportivo muitas opções no que diz respeito a locais a explorar com profundidades compreendidas entre os 40 e os 80 metros.


Situação excepcional…

A pesca aos diversos na “Galega” é sempre motivo de muita ansiedade entre os Pescadores, pois para quem já lá pescou, sabe que aqueles pesqueiros, muitas vezes nos brindam com belos exemplares das mais variadas espécies. Safias, choupas, besugos, pargos, peixes-galo, badejos, fanecas, safios, carapaus, etc., todas estas espécies e mais algumas, são a razão pela qual esta área do mar do Norte e tão procurada pelos aficionados da pesca embarcada.
Mas é pelos pargos, que quem pesca na “Galega” mais anseia; arrisco-me a dizer que é o local onde mais pargos são capturados no Norte do Pais. Esta espécie pode ser capturada durante todo o ano, mas com maior incidência no Verão, altura em que têm um maior grau de actividade. Os iscos que têm maior relevância na captura deste predador são o lingueirão, a ameijoa, a lula, os filetes de cavala e de sardinha.




















Escusado será dizer que as “iscadas” generosas são as que na maior parte das vezes, fazem a diferença. Se quisermos especificar a nossa pesca, direccionando-a ao pargo, devemos utilizar uma montagem de dois anzóis, com uma madre de aproximadamente 1.2m de comprimento e os estralhos com 60cm, como esta proposto na “montagem para pargos”. Na madre o diâmetro deve-se estar compreendido entre o 0.40 e o 0.50mm e nos estralhos entre o 0.30 e o 0.40mm; aconselho sempre o uso de um monofilamento em fluorcarbono de boa qualidade.

É o pesqueiro onde são capturados mais pargos no Norte do País, duranto todo o ano, mas a época alta é sem duvida o Verão

Pesca aos “diversos”

Os “diversos” são as outras espécies, ou seja, as safias, as choupas e os besugos, e têm a melhor altura do ano nesta zona, sem duvida alguma o Outono e Inverno. As três espécies têm um particular apetite pela ameijoa, camarão, lingueirão e lula de bico, sendo este último isco um verdadeiro pitéu para os nossos amigos besugos.
As montagens que melhores resultados obtêm para os diversos nesta zona do Atlântico podem-se resumir numa só montagem. Com aproximadamente 2m de comprimento de madre e 45cm de estralho conforme o esquema demonstra.

A madre da montagem deverá ter um diâmetro entre o 0.28 e o 0.35mm. Os estralhos dependem da altura do ano, isto é, Outono / Inverno entre 0.26 a 0.28 mm e no período da Primavera / Verão entre 0.23 e 0.25mm. No Inverno geralmente conseguem-se capturar exemplares de maior porte, dou como exemplo safias que chegam a pesar 1.2kg e choupas que ultrapassam o 1.5kg, daí a necessidade de utilizar monofilamentos de diâmetro superior nesta época.
Possivelmente estarão a questionar-se em relação ao tamanho exagerado das montagens.
Reconheço que é uma questão legítima, pois sem dúvida são longas. Mas devido à experiência obtida nas diversas pescarias efectuadas nesta zona, concluí efectivamente que este tipo de montagem é o mais indicada. Embora com algumas excepções, devo dizer que, por vezes temos que adaptar as montagens a novas circunstâncias, pois nem sempre encontrámos as mesmas condições de mar e de peixe.


“diversos” têm particular apetite pela amêijoa, camarão, lingueirão e lula de bico, sendo este último isco um pitéu para os besugos.

Os “indesejáveis”

Quando no pesqueiro existem espécies indesejáveis, como as bogas e os carapaus, que não deixam as outras espécies que mais valorizamos comer o nosso isco, devemos nessa altura fazer algo para mudar a situação.
O que podemos fazer nestas circunstâncias é utilizar uma montagem mais curta, tanto na madre como nos estralhos. Devemos então usar uma montagem com um comprimento total de madre com 1.3m, com estralhos de 35cm, diminuindo também a distância entre a chumbada e o primeiro anzol. Esta acção é feita com o intuito de apresentarmos os iscos um pouco abaixo da localização das espécies indesejáveis na coluna de água, isto e, apresentarmos o nosso isco mais junto ao fundo. Ainda relativamente as montagens, e como nunca e demais salientar, deve utilizar-se sempre um monofilamento de fluorocarbono de boa qualidade, pois assim a probabilidade de se capturar mais exemplares sobe consideravelmente.

Dica do Mestre

Para conservar melhor as características naturais, deve-se congelar num saco ou recipiente em água do mar e depois coloca-la a congelar na véspera do dia em que a vamos utilizar. 0 camarão e o lingueirão deverão ser descascados momentos antes do inicio da nossa pesca, pois assim evita-se que as suas propriedades se alterem. Durante a pesca devem guardar-se os iscos na geleira e retira-los aos poucos consoante necessitamos. Assim, mais uma vez salvaguardamos as propriedades naturais dos iscos, evitando que se alterem com a luz e o calor. Deve sempre utilizar-se uma geleira com gelo pois assim, para além de mantermos os nossos iscos bem frescos também serve para colocar o peixe capturado, mantendo até ao final do dia toda a sua frescura. Quem não a utiliza, por vezes e principalmente de Verão, arrisca-se a estragar o resultado de uma boa Jornada de pesca.

Iscos frescos: obrigatório!

No que diz respeito aos iscos, como sempre, devem ser o mais frescos possível e serem preparados antecipadamente, para se perder o mínimo de tempo possível em acção de pesca.

Dos iscos que referi anteriormente, o que requer obrigatoriamente preparação previa e a ameijoa, pois nunca deve faltar a bordo visto que os seus resultados são excepcionais.

Deverá ser descascada e salgada para obter a textura e rigidez necessária para iscar sem se desfazer e para resistir a descida sem se soltar do anzol. A lula de bico também e um excelente isco, preferencialmente de Inverno; esta não têm necessidade de preparação prévia.

Num paraíso há de tudo, e a provar isso a Galega também oferece algumas surpresas como este badejo-bacalhau.

Resumindo e baralhando

Para todos os fãs da pesca em barco fundeado, a “Galega” e aquilo a que se pode chamar de um verdadeiro paraíso, com uma diversidade acima da media e o fortíssimo aliciante que e a possibilidade de se capturarem pargos legítimos como em mais nenhum local no Norte do Pais. A oferta em termos de maritimo-turisticas também e bastante satisfatória o que alarga sempre a sua possibilidade de escolha, permitindo uma maior flexibilidade de agenda. Posto isto, resta apenas fazer a sua visita a “Galega”, fazer uma pescaria daquelas (sempre consciente) e almejar a captura duns belos “rosadinhos”. O peixe merece sem duvida todo o nosso respeito, pois e ele o maior protagonista do nosso passatempo preferido.































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