Pargos à Chumbadinha – 10 Regras de Ouro

PARA QUEM AINDA NUNCA OUVIU FALAR DESTA TÉCNICA QUE FABRICA PARGOS AQUI DEIXAMOS UM BOM GUIA EXPLICATIVO.

É CERTO QUE A TÉCNICA AINDA CRIA ALGUNS ANTICORPOS A QUEM OUVE A EXPLICAÇÃO DE COMO SE FAZ OU MESMO PARA QUEM ASSISTE PELA PRIMEIRA VEZ.

UMA COISA É CERTA: QUANDO BEM EXECUTADA, SÃO PARGOS NA CERTA E GRANDES!

Se pensa que se trata de uma pesca feita à rola, à está redondamente enganado: a pesca à chumbadinha faz-se com o barco fundeado… sempre!

Lógico que é preciso ter um bom mestre na embarcação pois a colocação do barco é meio caminho andado para uma boa pesca de pargos.

O seu conhecimento das aguagens, tipo de fundo e forma como se fundeia são fundamentais para se conseguir apresentar a pesca corretamente.

Mas isto não deve estar a ajudá-lo…

Pois bem, a pesca à chumbadinha faz-se com o barco fundeado, tentando — regra geral — aproveitar uma aguagem que corra preferencialmente no sentido do vento. A montagem é simples e deve ser lançada no sentido dessa aguagem/vento, sendo constituída por uma chumbada de bola furada que bate no anzol, tal como se fosse uma tradicional pesca de chumbadinha que fazemos de costa.

O detalhe é que os pesos são quase idênticos e chega-se a pescar com 50 gramas em 100 metros de profundidade, assim as condições o permitam.

O objetivo é apanhar pargos e para o efeito usam-se linhas fortes e anzóis grandes pois as iscadas convém serem “generosas”. Mas vamos analisar os pontos-chave da técnica para que da próxima vez embarque com a garantia de ter a lição bem estudada.

Insista do princípio ao fim e não mude a pesca pois eles acabarão por entrar…afinal, tanta sardinha no fundo vai chamá-los longe graças à aguagem.


1- CANA E CARRETO

Esta é logo a questão que muitos pescadores colocam quando alguém os convida para uma saída de pesca aos pargos à chumbadinha.

Questões como “será que se tem de comprar uma cana nova?”, “que tipo de cana servirá melhor?” ou “será que a minha cana de pesca de barco serve?”, são habituais e mais do que lógicas.

Já correu moda e inclusive já se fizeram algumas canas de propósito para a técnica mas deixem que vos diga que uma cana de spinning de três metros serve na perfeição; permite lançar uma chumbadinha até 80, 90 gramas, é sensível o suficiente para sentir o peixe a comer e tem o poder necessário de ferragem que precisamos para cravar o anzol na dura boca de um pargo.

Também existem versões económicas de canas telescópicas muito interessantes de pesca ao buldo ou chumbadinha de costa e que servem o mesmo propósito. Para acompanhar sugiro um carreto possante, com bom drag e de pequeno tamanho para que seja leve e agradável de pescar o dia todo; algo entre o 4000 e o 6000 e que permita uma capacidade de 250 metros de 0,23mm.

E não se esqueça: se é para tentar apanhar pargos não pode desistir.

2 – LINHA E “TRABALHO” DA PESCA

Se imaginarmos que pescamos a 90, 100 metros de fundo e tendo em conta que ainda lançamos alguns metros mais, só aí já temos bem mais de 150 metros de linha fora do carreto. Por isso 250 metros de linha no carreto são mais do que suficiente. Há quem opte por monofilamento, alguns até por diâmetros finos, na casa do 0,30mm, mas não recomendo pois será que vale a pena ferrar 10 peixes e só tirar dois ou três? A meu ver é preferível ferrar três e tirar três! Prefiro um multifilamento na casa do 0,23mm no qual coloco uma ponteira em nylon ou fluoro-carbono entre o 0,435 e o 0,60mm, sempre com um comprimento nunca inferior a 10 metros.

E porquê?

Para cumprir o objetivo da pesca à chumbadinha, a isca ir procurar o peixe ao sabor da aguagem e este comer sem sentir prisões.

Além disso, havendo um nó entre o mono e o multi-filamento, serve de batente e saberemos que, mesmo que não passe o furo, teremos sempre esses tais 10 metros entre a chumbada e a iscada.

Pescando direto, com monofilamento, resolvemos o problema mas temos mais deriva, mais água a pegar na linha.


3 – CHUMBADAS

Quanto às chumbadas não tem nada que saber: chumbadas redondas e furadas entre as 50 e os 100 gramas, no máximo.

Não se esqueça que pode apanhar um dia com uma aguagem boa, outro dia com aguagem a mais e outro com aguagem a menos.

Há que prevenir isso pescando mais leve quanto menos intensa for a aguagem ou aumentar o peso se tivermos mais dificuldade em perceber se a pesca chegou ao fundo.


4 – ISCADAS E ANZÓIS

Grandes é a palavra que serve para descrever o tamanho das iscadas e dos anzóis. Para iscar uma sardinha inteira, sem cabeça e barbatana caudal, um filete de cavala fresca, um ferrado de polvo, um caranguejo grande ou uma lulinha inteira recomendo um anzol nunca abaixo do 3/0 ou 4/0, dando preferência por vezes ao 5/0 e 6/0.

Por vezes, e sempre que uso iscadas ainda maiores (como sardinhas ou cavalas muito grandes) e preciso de aumentar o poder de ferragem, uso dois anzóis. A preferência de quem faz esta pesca são anzóis robustos, de olhal, com uma boa abertura e excelente afiagem.

De referir que, para além dos iscos referidos, o camarão inteiro, com cabeça, pode ser uma boa opção, mas não há nada que bata as primeiras alternativas, recomendando apenas que a sardinha fresca seja gorda ou em alternativa congelada pois só há sardinha fresca gorda em alguns (poucos) meses do ano.

O mesmo princípio se aplica às lulinhas e quanto ao camarão congelado basta referir que a variante selvagem é sempre melhor.

Se for para o mar abasteça-se em terra e leve, no mínimo, três a quatro quilos e não se esqueça que uma sardinha é uma iscada!

Se puder levar também iscos alternativos tanto melhor pois há alturas em que, das duas uma, ou os pargos não querem sardinha, ou querem e os outros peixes também, danificando as iscadas.


5 – COMO FUNCIONA ESTA PESCA

A propósito do que expliquei e de acordo com aquilo que me é dado a entender, esta pesca só FUNCIONA se houver corrente, aguagem.

Esta pesca faz-se lançando no sentido da mesma, o mais longe que pudermos e o que acontece é que na queda da chumbadinha e iscada, como o volume da última é superior ao da chumbada, esta vai cair sempre primeiro que o isco e, logicamente, quando a pesca chega ao fundo, é a chumbada que toca primeiro no fundo e só depois a iscada.

Esta vai ficar afastada da chumbada pois ainda vai ser arrastada uns metros pela aguagem, dependendo da intensidade da mesma. A nossa pesca será tão mais sensível quanto a chumbada ficar da isca.

Chamo a atenção para as situações em que não há aguagem: a isca tem tendência a ficar para trás durante a descida e a tendência é vir à linha do carreto, enleando tudo bem acima da chumbada.

Quando há corrente nunca há enleios…

6 – ESTARÁ NO FUNDO?

Esta é a maior dúvida, mesmo para os que já fazem esta pesca há mais tempo.

Só traquejo pode dar-nos garantias mas há algumas sugestões, cada uma mais indicada para os gostos de cada um. Se não houver nenhum fator anormal, depois de lançar, colocamos a cana na horizontal e esperamos que a linha pare de sair do carreto, sinal de que a chumbada já está no fundo.

Caso haja vento ou muita aguagem que fazem com que a linha saia mesmo depois de bater no fundo por arraste da mesma, opte por usar linha que muda de cor a cada 10 metros e, por conhecimento da profundidade, ter uma ideia aproximada de se a chumbada está ou não no fundo e pode usar por exemplo nós na linha de 50 em 50 metros para saber “onde é que está a pesca”.

Em alternativa, e para minimizar o erro de sair linha a mais e perder sensibilidade, pressione ligeiramente a linha com os dedos enquanto a pesca vai para baixo.

Se suspeita que a chumbada já está no fundo confirme levantando a cana num movimento enérgico para confirmar e sentir de novo a chumbada a bater no fundo.


7 – AÇÃO DE PESCA

Outra coisa delicada e confusa para muitos. Depois de chegada a pesca ao fundo sentimos ao fim de um bocado a pesca a esticar, parece que a pedir que se dê linha. Isso é a aguagem a puxar a linha e a isca e não um sinal de que a chumbada está acima do fundo ou que esteja a bater no anzol.

Podemos eventualmente dar dois ou três metros de linha mas não convém repetir a operação em demasia pois quanto mais fora do barco estivermos a pescar menos contacto temos com a pesca.

A partir daí é só ir sentido o fundo, tentando perceber os peixes a comer e evitar esticar a pesca de maneira a que a isca não encoste à chumbada.

Atendendo à sua volumetria, é a iscada que é arrastada pela aguagem e chega a estar alguns bons metros afastada da chumbada, sendo esta apenas um veículo para levar o isco até ao fundo…isto quando chega ao fundo pois há dias em que os pargos nem isso deixam!

8 – CALMA: DEIXE O PEIXE COMER

O pargo é diferente do peixe-miúdo a comer e até pode comer de formas diferentes: ou mordiscando ou engolindo de uma vez.

Varia muito mas não tem nada a ver com aquela forma de comer típica de peixe mais pequeno, com toques francos, mas nervosos.

O importante é que deixe o pargo comer, abrindo nessa altura a asa de cesto para que engula sem sentir prisões e, mal veja a linha a sair da bobine mais depressa ou sinta o peixe a “carregar” deve fechar de imediato a asa de cesto e ferrar energicamente.

9 – EMBRAlAGEM: NÃO FACILITE

Se há coisa que tem dado mau resultado são as embraiagens abertas, havendo quem exagere a pontos da própria bobine ficar quase solta!

Não facilite e deixe o mínimo de embraiagem aberto pois as linhas que sugeri são mais do que suficientes e por maior que o seu pargo seja a cana não vai partir.

Se o carreto estiver aberto, aí sim, o peixe arranca, vai tomar balanço, vai roçar a linha nas pedras para se tentar soltar e certamente irá partir ou soltar-se. Afine mas com bom senso…

10 – 0 QUE DEVE LEVAR SEMPRE!

Se vem apenas para apanhar pargos à chumbadinha não traga outro material que não o apenas indispensável para esta pesca.

Na minha opinião e para não haver tentações, nem sequer a cana de ponteirinhas, montagens ou chumbadas da pesca fundeada deviam constar na caixa de material de quem quer apenas pargos, pargos grandes.

Traga apenas linha forte, anzóis grandes e robustos, linha de atar a isca, algumas chumbadinhas e uma boa geleira.

Não complique e “programe-se” para ser teimoso e seletivo.



Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *