Pesca aos Chocos

Texto: José Luis Costa
Fotos: Autor e Arquivo

O choco (Sepia officinalis) é uma das espécies de cefalópodes mais comuns em Portugal Continental. Tal como a maioria das espécies de cefalópodes conhecidas o seu corpo apresenta um manto musculoso que envolve a quase totalidade dos seus órgãos internos e uma cabeça com olhos de grandes dimensões, onde se encontram 8 braços, a boca e o cérebro do animal. À semelhança das lulas, potas, e outras espécies de chocos esta espécie apresenta 2 tentáculos retrácteis próximos da boca. Os 8 braços são de pequenas dimensões e têm como função fixar as suas presas após serem capturadas ou agarrar o parceiro sexual durante a cópula.


Tal como o polvo o crescimento do choco é muito acentuado, chegando a superar os 50% por dia, e perpetua-se por todo o tempo de vida do animal (cerca de 1-2 anos) em que o animal pode atingir os 4 kg de peso.

Com o fim do verão e da época balnear volta novamente a tranquilidade á nossa costa e à presença em águas rasas dos nossos amigos chocos, que serão procurados por pescadores nestes meses frios que se avizinham.

È entre o final de Agosto e início de Setembro, quando começam a aparecer os primeiros chocos da temporada, embora muitas vezes exemplares pequenos, e o facto do início da temporada de pesca coincidir com o corrico por excelência, para o choco é adiada a pesca mais para Novembro ou Dezembro para muitos pescadores, embora o actual mês de Outubro costuma ser um grande mês de entrada, mas as capturas de atum e doirado são mais apelativas. A temporada de pesca normalmente alargasse bastante chegando até Março, quando eles tendem a ser maiores e em que o tamanho está em causa.

Modalidades

Embora existam varias técnicas de pesca, a mais usada é de longe a pesca com iscas artificiais, assim vamos centrar este artigo nesta modalidade para tentar capturar este manjar que sempre foi conhecido e cobiçado por todos nós. Escusado será dizer que todas as formas de pesca podem ser praticadas no Atlântico e no Mediterrâneo, sendo na primeira que se centra a minha experiência, com chocos de tamanho médio, mas os seus hábitos são semelhantes.

Amostras artificiais; os Palhaços e Toneiras

Esta é a modalidade mais praticada pela maioria dos pescadores desportivos. Pode ser praticada a partir da costa, mas onde esta é mais eficaz é de barco à deriva, como o choco passa quase toda a temporada, excepto Março e Abril em áreas arenosas, onde os nossos “palhaços” e toneiras não se prendem no fundo, de forma que pescando à deriva ao longo da costa e ir a “pentear” o fundo é uma forma muito eficaz de pesca-los, já que os chocos se mostram vorazes e entram facilmente nos nossos artificiais, se bem que é indispensável que as derivas sejam lentas, muito lentas; pois se a embarcação deriva rápido demais as picadas tendem a diminuir consideravelmente. Procuramos assim, areais e cascalho em diversas batimétricas, pois os chocos podem andar entre os 3 – 20 metros, situando-se com muita frequência em fundos entre os 6 e 10 metros.

Como pesca-los.

Se pescamos desde a costa ou sem deriva desde embarcação, temos de lançar o nosso aparelho e arrasta-lo com suavidade, realizando paradas curtas do mesmo, batendo a maior porção de fundo possível.
Se pescamos com uma deriva moderada, será o vento e a corrente que actua por nós, ajudando a peneirar o fundo, podendo-nos ajudar a pescar mais comodamente com varias linhas, tacteando alternativamente ambas as linhas levantando o aparelho do fundo com um suave e continuo puxão. Nesta pesca ao notar-se um aumento de peso no aparelho, nesse momento um puxão vai cravar o palhaço na pele ou tentáculos do choco, devendo-se iniciar uma recuperação continua sem nunca parar, pois no momento em que se pára muitas vezes os alfinetes finos e sem barbela do palhaço desferram a nossa presa. Se notamos que a nosso choco se soltou, vale a pena aguentar uns segundos o aparelho sem recuperar, pois é frequente que ele volte-se a ferrar caso não se tenha picado em excesso. Repito que é muito importante a velocidade da deriva, pois se é muito rápida não pescamos quase nada por muitos chocos que hajam, é normal e aconselhável nestes casos a utilização de uma ganchora ou âncora flutuante para que esta diminua a velocidade da deriva aumentando consideravelmente as nossas capturas.
Muitas vezes acontece, e não é de estranhar que ao estarmos a pescar ao chocos entre também nos nossos palhaços lulas e polvos.

Sugestão

Recomenda-se que tenhamos o “xalavar” ou “ganha pão” sempre à mão pois os exemplares maiores têm tendência a soltar-se quando tentamos puxa-los para bordo, para não falar dos constantes esguichos de tinta que estes nossos amigos ás vezes nos brindam sujando tudo ao nosso redor, nestes casos coloca-se o “bicho” dentro do xalavar na parte de fora do barco até que ele se acalme ou gaste o “tinteiro” da tinta, evitando assim que nos borre a todos e ao barco.

Conclusão

A pesca ao choco é uma agradável variante á pesca que normalmente fazemos e recompensa-nos normalmente com um petisco que todos nós apreciamos.
Espero que tenham gostado deste artigo e até lá, boas ferradas.


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