A PESCA… no Profundo





Texto e Fotos: SÍLVIO SANTOS

Se há preconceitos que rodeiam a pesca no profundo, ou “fundura” como também é chamada, são o facto de ser uma modalidade elitista, cara e praticada apenas no inverno. Como em tudo na pesca há que desmistificar e esclarecer que nada disto são verdades absolutas e que qualquer amante da pesca a chernes, gorazes e companhia, seguindo apenas as directrizes que o Mestre Silvio Santos nos deixa neste artigo.

Nestes últimos anos, este tipo de pesca tem vindo a ganhar muitos adeptos, principal-mente, a meu ver, devido à escassez de peixe nos pesqueiros normalmente frequentados pelas embar-cações de pesca desportiva e também pela satisfação provocada por um bom resultado de um dia de pesca nas profundezas.
A procura de exemplares maiores e de espécies diferentes leva o pescador desportivo de alto mar a ir mais longe e mais fundo.
Como o próprio nome sugere, é uma pesca realizada a grandes profundidades, isto é, entre os 200 e os 400 metros, fazendo com que as embarcações desportivas naveguem por vezes mais de 30 milhas para chegarem aos seus pesqueiros preferidos.
A razão pela qual estes pesqueiros se distanciam tanto da costa, é porque se situam a seguir à plataforma continental, ou seja, no talude continental.
Uma plataforma continental é uma plataforma submarina pouco profunda, localizada nas margens de um continente, que se inclina para o mar com um declive de mais ou menos 0.1º em direcção aos fundos oceânicos.
A plataforma continental termina no talude continental, uma zona de acentuado declive que marca a transição entre a crusta continental e a crusta oceânica.

Há que diferenciar dois tipos de pesca: a do goraz e a do cherne.
A diferença reside na espessura dos fios e tamanho do anzol.

PALCO PRINCIPAL

O talude continental é caracterizado pelo acentuado declive, local onde a profundidade aumenta de forma abrupta, dando origem a encostas bastante acentuadas, formando também brechas, buracos e grutas, locais ideias para muitos peixes habitarem e procurarem alimento, sendo assim os melhores locais para praticarmos este tipo de pesca.

Materiais

Canas

Em relação às canas escusado será dizer que devem ser fortes e resistentes para conseguirem trabalhar com chumbadas com pesos compreendidos entre os 0,750 kg e o 1,5 kg. Devem possuir uma acção entre as 20 e as 50 lbs. Existe uma imensidão de canas que podem ser adaptadas a este tipo de pesca com bons resultados. Desde canas de Big-Game a canas de jigging, spinning, etc.

Carretos

Os carretos obrigatoriamente têm que ser eléctricos e com boa potência. Devem possuir uma boa capacidade de linha, para no mínimo se poder colocar 500 metros de multi-filamento 0.30/035 mm.
Também neste capítulo existem muitas marcas e modelos, embora os preços não sejam muito convidativos, têm vindo nestes últimos anos a baixar de preço e assim ficarem mais acessíveis.
Ao multi-filamento colocado no carreto deve-se unir um monofilamento que vai servir de chicote/terminal, com o objectivo de amortecer as pancadas dos peixes maiores e assim trabalhar com maior eficácia. Normalmente usa-se cerca de 10 a 15 metros de chicote e este terá uma espessura de 0.60/0.70 mm.

Iscos

Os iscos que por norma nos dão bons resultados são os de sempre: sardinha, lula e cavala/sarda. Sempre o mais frescos possível e em acção de pesca sempre resguardados à sombra e ao fresco.

A incerteza nestas saidas de pesca são largamente superadas pela qualidade das capturas.

Montagens

Neste caso, temos que diferenciar dois tipos de pesca no profundo: a pesca ao goraz e a pesca ao cherne, pois aqui a diferença entre as montagens reside na espessura dos fios e tamanho do anzol.

Montagem para goraz

Nas madres devemos usar um monofilamento com um diâmetro entre 0,70/0,80 mm e nos estralhos entre 0.50/0.60 mm. Em relação ao anzóis dependendo da marca entre o 1/0 e o 3/0.

Montagem para cherne

Neste caso, as madres a utilizar devem ter um diâmetro de 1.0 mm a 1.5 mm e os estralhos com medidas compreendidas entre 0.80 mm a 0.90 mm podendo utilizar-se até mais de um milímetro de diâmetro dependendo do tamanho dos peixes que estamos a capturar. Os anzóis, esses devem ser de tamanho compreendido entre o 3/0 e o 6/0. Nestes dois tipos de montagens o tamanho ideal do estralho é de 50 cms.

A parte mais importante nesta pesca é precisamente o posicionamento da embarcação.

Particularidades…

Este tipo de pesca, propriamente dito, não tem nada de especial em relação a outros tipos de pesca em barco fundeado ou à “rola” (expressão utilizada na gíria do pescador para designar à deriva). Uma das particularidades mais importantes na pesca em barco fundeado é sem dúvida a nossa localização em relação ao fundo e ao peixe, e este caso não é excepção, e se o posicionamento de um barco já por si não é fácil a 50 ou 60 metros imaginem a 300 metros de profundidade. Quando o vento é favorável e não sofre grandes alterações em relação à sua direcção o posicionamento torna-se mais fácil, mas quanto não há vento ou então este teima em não ser constante na sua direcção então temos que tomar medidas que nos possibilitem pescar sempre onde o peixe se encontra, e a melhor forma é sem dúvida pescar à deriva, ajudando com o motor quando necessário. Neste caso a acção dos pescadores que se encontrem a bordo tem que ser mais coordenada de forma a não haver linhas enleadas e portanto um pouco mais difícil para o mestre e consequentemente para os pescadores se a coordenação não for respeitada.
A parte mais importante nesta pesca é precisamente o posicionamento da embarcação e na opção de escolha pelo método mais indicado determinado pelas condições atmosféricas presentes.

Ao contrário do que muitos afirmam, esta pesca pode ser praticada por qualquer pescador que goste da pesca de alto mar, não é de modo algum uma modalidade elitista ou demasiado cara que nos impeça no mínimo de experimentar uma vez uma pescaria a estes exemplares das nossas profundezas. E pode-se dizer que neste momento já existe uma boa oferta de embarcações marítimo-turísticas que praticam este tipo de pesca principalmente no norte do país, e com a vantagem de alugarem o material (canas e carretos eléctrico), evitando assim que quem queira experimentar tenha que investir na compra deste tipo de material mais específico.

Se decidir experimentar é obrigatório acondicionar bem os iscos de forma a manter a sua frescura e também levar bastante gelo para acondicionar bem o fruto da nossa pescaria, tendo em conta que falamos de exemplares de peixes com elevado valor gastronômico e assim sendo merece todo o nosso respeito e bom trato. <>


Partilhar:


Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *