Pesca de Profundidade em Albufeira (parte II)

Texto: José Luis Costa
Fotos: Autor e Arquivo

Na continuação do bom tempo de Verão, fui explorar novamente a pesca de profundidade nestes mares de Albufeira, pois acho que ainda têm muito para dar.


Com a lição do ultimo dia bem estudada e o trabalho de “casa” feito fomos tentar a sorte no mesmo pesqueiro, para o efeito nos dias anteriores ao dia da pesca coloquei a cabeça a trabalhar, é que no ultimo dia um artista abriu-me o anzol, “vou experimentar outros anzóis” – pensei eu; e com esse pensamento em mente fiz uma serie de montagens com 2 e 3 anzóis, nas quais apliquei anzóis Pró-VALUE da Hayabusa 2/0 e Asari Maruseigo nº20, nas montagens de 2 anzóis utilizei fio 0.50mm com estralhos de 70cm em linha 0.45mm da Berkley – Trilene, a cana foi a Kaigen da NBS-Banax montada com o Stella 10000, para atrair os “nossos” amigos levei mais uma vez só Sardinha e Camarão, tenho reparado que para estas funduras os “petiscos tradicionais” de outras paragens podem bem ser dispensados pois os peixes que habitam por ali não são muito selectivos e entram bem só com estes, um dos iscos que também funcionam bem é a lula pequenita que é apanhada por os arrastões e que as vezes se encontra no mercado, desta vez não consegui arranjar, um truque que recomendo é quando encontramos esse tipo de isca é comprar, separar em doses e congelar pois quando precisamos é só tirar da arca e ir para o mar, funcionam também muito bem congeladas.

O trabalho de “casa” não pode ser descurado …

Chegados ao local  e toca a sondar o pesqueiro, perdi ou ganhei não sei bem, cerca de uns 15min a explorar e tentar ver por onde andavam os “nossos” amigos até encontrar o sitio que entendi ser o mais adequado  para fundear, muitas vezes é preferível “perder” alguns bons minutos a sondar o pesqueiro pois com esta coluna de água ter que refazer a poitada e puxar ferro para cima e fundear novamente acaba por ser muito mais moroso e acabamos por perdermos muito mais tempo, as condições estavam reunidas, pescas para baixo e …

… nada de especial, só senti a primeira picada ao fim de uns bons 10 minutos, um Dentão, precisamente o que procurava, ao fim de outro tanto tempo mais um, porreiro eles estão por aqui dizia eu, e não me enganei, com o passar do tempo o peixe foi-se juntando e lá começamos todos a tirar uns Besugos XXL, Gorazes de bom tamanho, Carapaus Grandes, por aqui todos os peixes têm medidas generosas até as garoupas são grandes, ainda bem pois é precisamente isso que todos os pescadores desportivos procuram, mas que hoje em dia se torna cada vez mais difícil, necessitando fazer muitas mais milhas na procura dos tais exemplares que todos nós gostamos e que só aparecem umas quantas vezes por ano e para alguns até quem sabe, da vida.

Mais um dia de pesca com bons peixes em fundos onde  só pescamos se o Mar nos deixar ir lá, porque Há Mar e Mar, Há ir e Voltar.
A segurança é extremamente necessária e muito importante.

O tempo foi passando, a pesca estava óptima e animada, os baldes iam ficando bem compostos, com o sol já bem alto no horizonte sinto uma picada assim como que meio tímida ao principio, afrouxei um pouco a linha para obter uma maior sensibilidade e sinto novamente outra investida, desta vez mais vigorosa, levanto a cana na tentativa de ferrar o peixe e sinto de imediato um enorme cabeçada, digo eu … “ai mãe que tenho aqui um cabeçudo daqueles”, com muita calma comecei a trabalhar o peixe no fundo, eu a tentar puxar para cima e ele para baixo, ao fim de alguns minutos lá consegui traze-lo das funduras e xalavar com o bicho, na mesma altura que estava a “trabalhar”, sim, porque não me canso de dizer, tirar peixe a estas profundidades com carretos tradicionais torna-se muito cansativo; entra o mano do Pargo que tinha tirado na cana do Monteiro, zzzzzz ouvi eu o carreto dele fazer, é outro cabeçudo diz logo ele, calma que temos tempo … trabalha o peixe … calma … e assim foi, após umas valentes corridas o peixe lá foi perdendo as forças e rendeu-se, com a descompressão a meio d`agua o peixe morreu vindo ao de cima a uns bons 30m do barco, espectáculo ver uma “chapa” daquelas à tona d`agua, foi só recuperar linha até ao encontro do xalavar, o contentamento como é obvio era geral, tínhamos encontrado os tais exemplares que procuramos, até à hora do almoço ainda tirei mais dois parguitos mas sem antes disso entrar outro peixe na minha cana que me deixou a tremer, deveria ser certamente o pai dos primeiros pois a força com que investiu quando se viu ferrado foi absolutamente brutal, nem sequer consegui descola-lo do fundo, foi incrível ver a força de um peixe com P grande, começou a levar linha do meu Stella com uma intensidade tal que tive de colocar a ponteira da cana para dentro de água na tentativa de dar uma maior vazão á linha do carreto e o peixe não romper a mesma, mas não foi a suficiente pois a mesma linha que ele levou roçou-a pelo fundo partindo tudo, estralho e fusível da chumbada, não tive hipóteses, fiquei com o corpo a tremer da descarga de adrenalina que aquele “malvado” meu deu, enfim, mais um daqueles que se foi embora …

… se fosse fácil certamente que todos os pescadores iriam á procura deles, chegada a hora do almoço, preparo a mesa com umas iguarias que trouxemos de casa e toca a começar a comer que nós também merecemos, nesta hora de relax e pura convivência é normal deixarmos uma ou duas canas a pescar com umas iscadas ainda mais generosas do que aquelas que utilizamos durante a manha, digo eu ao Jacinto que ainda não tinha qualquer exemplar, mete ai uns filetes de cavala na tua cana e se calhar tens uma surpresa … e não é que praticamente assim que as iscas chegam ao fundo ele volta as costas á cana para vir almoçar e tumba, zzzzzzzzzzzz mais uma vez, meio surpreso com aquela investida repentina lá consegue com alguma dificuldade tirar a cana do caneiro, “este também é bom” diz o Jacinto com um sorriso preocupado no rosto, clama …. Muita calma … dizíamos nós, trabalha o peixe, e trabalhou bem sim senhor pois ao fim de uns minutos lá estava ele dentro do nosso rico ganha-pão hehe, assim está bem, se 2 é bom 3 é óptimo e ainda por cima um exemplar para cada um de nós, estava mais que bem repartido, com a entrada de mais um exemplar a bordo o nosso repasto ainda soube melhor, maravilha estávamos no céu no meio do mar.

Durante a tarde lá foram saindo mais uns “peixitos”, consegui ainda ferrar uma bela Abrótea com perto de 3kg, mas a pesca estava feita e rumamos a terra a fim de arrumar o barco e material, a parte mais chata num dia de pesca hehe!

Grande dia de pesca na companhia de dois bons amigos, certamente um dia para recordar mais tarde. Até outro dia, boas pescas a todos.





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