As Montagens




Texto: Filipe Cintra

Fotos: Autor e Arquivo

É neste aspecto que cada pescador (excepto os que pescam com montagens concebidas pelos fabricantes) deixa a sua marca. Para nós, está na montagem concebida pelo pescador o seu segredo. É aí que cada pormenor faz a diferença.
As montagens tomam as mais diversas formas; podemos dizer que existe um número infinito delas. Cada um usa o que quer e gosta e não existem duas montagens iguais.

Mas sendo mais específicos, vamos ver os diferentes componentes das montagens:
1º: união da madre do carreto à madre da montagem;
2º: fio da madre da montagem;
3º: união da madre da montagem aos estralhos;
4º: fios e comprimentos dos estralhos;
5º: anzóis;
6ª: união madre da montagem à chumbada;
Vamos seguir uma ordem lógica, por isso nesta edição iremos abordar os três primeiros itens desta lista, e no próximo número os restantes.

Madre do carreto à da montagem

Existem várias opções de destorcedores — simples, de alfinete, de rosca, de mola… enfim, há de tudo um pouco. A opção mais prática, no nosso entender, é sem dúvida a dos clipes rápidos. Existem inúmeros tipos e formatos das mais variadas marcas, mas a Stonfo tem uns bastante bons, que recomendamos. Existem também vários do mesmo tipo feitos manualmente por alguns dos melhores pescadores de surf casting nacionais, mas são mais difíceis de arranjar.
De forma a estes não ficar a nu, nada melhor do que um troço de 2 a 3 cm de manga elástica própria para o efeito, que se encontra à venda em qualquer loja. Existe ainda muita gente a usar as bolas mas estas, a nosso ver, só criam mais atrito nas montagens, por isso são de ignorar.
Se a manga anteriormente falada for fluorescente, terá tripla finalidade: proteger a saída da linha do clipe, sinalizar o chegar da nossa montagem à superfície e proteger a nossa ponteira de um eventual contacto com este acessório.

Fio da madre da montagem

Para este segundo componente, temos as mais variadas opções. A bolsa de cada um tem um peso enorme neste campo. Fluorocarbono, flurocoating ou um simples mono, eis a questão! Questão essa que é, invariavelmente, respondida pela nossa carteira.
Neste capítulo, outro factor importante tem a ver com a utilização ou não de nós de travamento. Todas as opções são válidas; no entanto, as opções aqui enunciadas terão em conta o uso tanto de nós como de cola, ou qualquer outro acessório (como as molas ou dispositivos de aperto — estes desaconselhados, por ‘ferirem’ a linha).
Sempre que imprimimos um nó à nossa madre, estamos a enfraquecê-la, e estará aí localizado um possível ponto de rotura. Agora: há nós e nós, e alguns destacam-se nestes casos, como o nó de 8 ou o nó cego de três voltas.

Um fio que nos garante uma enorme força e elasticidade é, sem dúvida, o ProSargos Titanium Salt Water, um fio com uma memória muito pequena (praticamente nula), com tratamento anti-salinidade bastante resistente à ruptura e à abrasão. Depois uma linha recente, proposta pela Awa-Shima, a Camuf, é muito equivalente à anterior e tem uma enorme e incrível resistência ao nó. E tem uma particularidade: vai tomando várias tonalidades dos verdes e castanhos ao longo da bobine, daí o seu nome. Uma excelente opção, sobretudo para quem pesca em águas bastante turvas e/ou tapadas e quer usar nós na madre.
Neste ponto, temos também usado a marca Seaguar, sempre com bons resultados, e em equipa que ganha não se mexe. Como foi dito inicialmente, a carteira manda.


Sempre que imprimimos um nó à nossa madre, estamos a enfraquecê-la, e estará aí localizado um possível ponto de rotura.
Agora: há nós e nós, e alguns destacam-se nestes casos.

Madre da montagem aos estralhos

Neste componente, a oferta é enorme!
Podemos até dizer que as conjugações de soluções tornam este capítulo quase infinito, mas iremos cingir-nos àqueles que, na nossa opinião, se adequam mais. Nas nossas montagens, o leque é curto, bastante curto. ‘Crossbeads’ e micro-missangas
da Stonfo fazem 75% das montagens.
Variam os tamanhos, mediante o tipo de pesca. Após várias experiências, o nó reina.
Depois os outros 25% são completados com peças em U da Fuji Bait, rotores ‘hand made’ by José Afonso, Hiro Sliders e ‘crossbeads’ de inserção fácil/rápida da Leoni e/ou da Tubertini. As missangas, essas, 99% das vezes, são da Stonfo. Também apostamos em montagens ‘caseiras’.

A experiência, não só na pesca embarcada mas na pesca em geral, diz-nos que não existem dois dias de pesca iguais, e que o que é verdade hoje poderá não ser amanhã. Assim, este artigo baseia-se no que pensamos hoje, e não há nada como irmos evoluindo, pois quem já sabe tudo ainda está para nascer. Saber compreender como está o nosso dia de pesca e, seguidamente, perceber como o peixe come é meio caminho andado para o sucesso; depois, há que saber adaptar as nossas montagens à realidade temporal. Tendo isto, o sucesso será garantido — ou pelos menos andará por perto… Uma simples montagem não faz milagres, mas ajuda. Agora, na pesca, como em todo na vida, há apenas que saber medir até onde queremos ir e até onde podemos ir.

Fios e comprimentos dos estralhos

Neste capítulo, há um ponto assente para nós: fluorocarbono. Já discutimos muitas vezes, com muitos pescadores experimentados e menos experimentados sobre o uso deste material. Muitos são da opinião de que o uso desta matéria deixa de ter significado a partir de certas profundidades, mas a nossa opinião mantêm-se.
Um exemplo comum nestas alturas: ao pescar de costa, à noite, em locais sem qualquer fonte luminosa, uns pescam com estralhos em fluorocarbono e outros com monofilamento normal — e no fim os resultados são esclarecedores. Não queremos dizer, com isto, que o monofilamento normal não tem o seu lugar; claro que tem. Não tem é lugar nos estralhos das nossas montagens de pesca embarcada!

Os comprimentos dos estralhos

Neste ponto, tudo depende muito do que pescamos e de onde pescamos; mas, genericamente, pode-se dizer que 90% das montagens que compõem as nossas caixas estão entre os 30 e os 40 cm. Depois, um pouco mais curto ou um pouco mais longo só mesmo em situações muito especiais. Para a pesca de lazer, deixamos mais um conselho: o estralho que pesca mais rente do fundo pode (ou deve) ser ligeiramente mais comprido e de uma espessura superior aos demais. Este truque tem um intuito: normalmente, o peixe graúdo come mais pelo fundo e ter um estralho um pouco mais comprido e mais grosso dá-nos maior segurança, quer na altura em que ele se joga à iscada, quer na altura de o trazer para cima. Além disso, o estralho maior dá sempre mais confiança ao peixe, quando come.

As medidas concretas dos estralhos são-nos ditadas pelo dia em si, pelo pesqueiro, pelo mar e, como não podia deixar de ser, primordialmente pelo peixe. Repetidamente ouvimos: «A maneira como o peixe come é que manda e, quando não come, temos de o desafiar!…». Para quem se inicia, é bom ter linhas na casa do 0.25 ao 0.28 para pesca dita normal; depois, com a experiência, já com o pulso mais certinho (ou seja, mal sentimos o peixe já quase que sabemos o que lá está), há que ir reduzindo as medidas, porque em muitos dias o mudar de 0.25 para, por exemplo, o 0.23 faz toda a diferença — mas já convém saber qualquer coisa do assunto, porque não se pode trabalhar o peixe da mesma forma.


Anzóis

Agora é que são elas… Existe tanta oferta neste campo que se torna bastante ingrato estar a dizer que anzol A, B ou C é que é bom. Mais, aconselhar o que quer que seja, quando cada anzol tem a sua especificidade, torna-se uma tarefa bastante complicada.
Neste capítulo, preferimos apenas deixar sugestões que nos parecem estar uns furos acima da concorrência. Para peixes de bitola maior, o Hiro Hi Perform TJN Maruseigo é um anzol que nos dá muita confiança: é muito forte, tem uma boa ferragem e, normalmente, usamo-lo no estralho de baixo pelo motivo explicado anteriormente.
Depois, o eterno Sansame Yamane, um anzol super fino, com uma das melhores ferragens que conhecemos e excelente para quem já tem algum experiência de mar, pois a sua finíssima espessura e a pequena barbela não perdoam erros. Mas para o peixe comum, como safias, sargos, choupas ou besugos, não há ‘pai’ para este anzol!
O Leoni Yuki 4000 é o verdadeiro polivalente, um misto dos dois anteriormente referidos.
A estes, há que acrescentar uns anzóis que começam a ser referência, sobretudo para pesca de lazer, os Hayabusa Pro-Value B13019 e B119 19, os Gamakatsu LS-2020N e os Takara AT 100 NIC. Todos eles anzóis de espessura fina mas de uma eficácia tremenda. Em relação a sua numeração, somos então obrigados a usar escala mais generalista, pois como todos sabemos, cada marca tem uma diferente. Pode dizer-se que, nas pescas de lazer, usamos anzóis entre o 1/0 e o nº 3 — e, mais uma vez, a situação de pesca é que manda.

União da madre da montagem à chumbada

Aqui a escolha é bastante fácil. Destorcedores de alfinete pequenos com abertura ‘fácil’, que abram sem ser necessário imprimir um enorme esforço na hora de a chumbada prender no fundo.

Isto tem duplo sentido: primeiro, porque mais vale perder uma chumbada do que uma madre completa; segundo porque muitas vezes, na hora de trabalhar ‘aquele’ exemplar, este muitas das vezes anda pelo fundo, a roçar-se em todo o que é pedra e afins, na tentativa de fuga — e também aí mais vale perder a chumbada que o exemplar do dia, quiçá do ano.

A questão da memória

Depois, a memória de cada linha também é importantíssima — por incrível que pareça, nem todas têm memória nula, provavelmente porque muitas vezes compramos linhas de fluorocarbono que não o são a 100%. Existe o teste do isqueiro que muitos de nós conhecemos, mas fica uma pergunta: se uma linha 100% fluorocarbono, quando queimada, fica preta e não deixa goma, não será que uma a 80% ou 90% fará o mesmo? Pois, ninguém sabe responder, só mesmo os fabricantes — mas esses não têm interesse em que o simples utilizador saiba exactamente o que usa. Existem variadas marcas com linhas em fluorocarbono, mas ainda conseguiu superar, aos nossos olhos, o eterno Seaguar.

Conclusão

Esperamos que retire daqui algum sumo para as suas próprias montagens. O que é bom para nós pode ser mau para si e vice-versa; só temos de saber adaptar o que gostamos às nossas necessidades.

No próximo número, vamos saber o que devemos usar para levar as nossas pescas para baixo, sem nunca esquecer que temos de as trazer para cima: as chumbadas! Até lá, faça uns ‘cortes e costuras’ e desenvolva as suas próprias montagens, vai ver que não se arrepende.

Até lá, boas pescas!















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