Carretos




Texto: Filipe Cintra

Fotos: Autor e Arquivo





Há uns tempos, mais não se fazia do que encontrar um bom carreto de surf casting e adaptá-lo a esta pesca; mas hoje, apesar de essa opção ainda ser, em alguns casos, uma realidade, na nossa opinião já não compensa. A oferta é tão diversificada que mais vale adquirir logo uma máquina para o que pretendemos.

A importância dos pormenores

Quando escolhemos um carreto, devemos saber perfeitamente o que queremos: algo que dê para tudo (desaconselhável) ou algo mais específico. E aí é que o pescador com menos experiência sente algumas dificuldades, para não dizer muitas. Este Percurso pela Pesca Embarcada dita ligeira faz-nos abordar somente essa vertente e assim iremos debruçar-nos essencialmente na escolha de um carreto virado para esta modalidade.

O RATIO

Para que serve e o que nos diz este valor? Apenas nos dá uma indicação que será objecto para as nossas conclusões/escolhas. O ratio indica quantas voltas o fio dá na bobine enquanto damos uma volta de manivela; por exemplo, um ratio de 5.2:1 diz-nos que, após uma volta completa da manivela, o fio deu cinco voltas e duas décimas na bobine.
Depois, as conclusões: quanto maior for o valor indicado, maior a velocidade do carreto e menor a sua força. Assim, um carreto com ratio de 3.4:1 é uma máquina muito lenta, mas cheia de força; ao invés, outro com um valor de 6.3:1 tem uma enorme velocidade, mas peca na genica de trazer um exemplar maior.
Assim, e como em tudo na vida, nem muito ao mar, nem muito à terra, há que escolher algo que nos dê ambas as coisas (força e rapidez). O ratio que aconselhamos deverá estar entre os 4.8:1 e os 5.2:1.

A MANIVELA

Um pormenor de muito relevo! Deve possuir um punho ergonómico, ou seja, que se adapte bem à nossa mão. Não devemos usar punhos nem muito pequenos nem demasiado grandes, pois, conforme foi dito anteriormente, na nossa modalidade estamos constantemente a ‘trabalhar’ com o carreto e punhos desajustados causam cansaço (além de lesões, posteriormente).

O TIPO DE BOBINE

Este é outro pormenor a ter em atenção.
Convém escolhermos um carreto cuja bobine permita um enrolamento entre os 55 e os 70 cm — não vale a pena ter um ratio muito elevado se a bobine só levar 30 cm em cada enrolamento.
Depois, bobines muito profundas, de forma a levarem muito fio, também são desaconselháveis: as linhas que usamos no carreto são finas (futuramente falaremos destas em espaço próprio) na casa dos 0.15, 0.16 mm… e nesse caso precisaríamos de muitos metros para encher uma bobine dessas.
Outro pormenor importante é o enrolamento correcto da linha, pois lidamos com multifilamentos e, caso o enrolamento do carreto seja mau, podemos facilmente estragar não só uma bela saída mas também metros e metros duma linha tão cara.

DICA
Esta situação é ultrapassada com o enchimento da bobine com um monofilamento forte, mas não há necessidade de escolher um carreto com bobines que levem muito fio

A EMBRAIAGEM

Finalmente, uma das coisas mais importantes dos carretos desta modalidade é uma embraiagem eficaz e facilmente ajustável. Esta parte do carreto deve funcionar como um relógio, para que, em momentos mais complicados, não tenhamos de andar a apertá-la ou a desapertá-la constantemente
Já pescámos com muitos e bons carretos, mas alguns, apesar de serem excelentes máquinas, muito fiáveis, ficaram para trás devido à ‘complicação’ da regulação instantânea da embraiagem.
Resumindo, um carreto de uma liga forte mas leve, ratio a rondar os 5.0;1, quantidade e qualidade de enrolamento e embraiagem como um relógio são os nossos alvos primordiais!

Uma das coisas mais importante que os carretos têm de possuir, para a nossa modalidade, é uma embraiagem eficaz e facilmente ajustável.

Qualidade e tamanho

Em relação ao corpo do carreto, este não deve ser fabricado em plásticos, ou algo do género, pois numa só jornada embarcada fazemos trabalhar mais o carreto do que um pescador de surf casting, por exemplo, o faz em dez saídas. Há que optar por um carreto com corpo e veio de uma liga forte, de forma a não nos preocuparmos com problemas de torção de cada um destes elementos.
E tudo isto sem esquecer o peso! Ligas fortes… mas leves, pois carretos acima de 600 g são desaconselháveis e desajustados — e os braços, depois, acusam o esforço.
O tamanho mais comum para carretos a usar na embarcada era, e ainda é, o 10.000 (tamanho comum de algumas marcas, como a Shimano, a Tica). Mas com a adaptação das marcas à nossa realidade, é cada vez mais comum encontrar carretos no tamanho 6000. Estes, além de mais equilibrados para esta pesca, são também mais leves.


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