Pequenas Pedras

Texto: José Luis Costa
Fotos: Autor e Arquivo

Nos últimos anos, se temos ido com frequência a uma pedra que durante anos nos tem dado bons resultados, seja em que modalidade de pesca for, observamos que as nossas capturas vão diminuindo tanto em tamanho das espécies como em quantidade. Fundos rochosos que nos proporcionaram boas capturas têm vindo a baixar de rendimento, até que ficam praticamente “secos” ou quase esgotados.

Quem é que ainda não teve que rumar para outro pesqueiro após chegar ao local desejado e comprovar que a pedra desejada está cheia de bandeiras assinalando redes no fundo, coves ou outras artes dos profissionais?  Ou quantas vezes encontramos um barco de mergulhadores ou marítimo turísticos com uma dezena de pescadores em acção de pesca precisamente no sitio onde queríamos pescar?

Se desejamos conseguir esse solitário e desconfiado Pargo ou essa potente e esquiva Corvina, teremos que aguçar os nossos sentidos e ir em busca de pedras menos conhecidas e mais profundas, de preferência a partir dos 40 metros, que se apresentem inacessíveis para a maioria de os, cada vez mais abundantes, aficionados de mergulho e pescadores com embarcações licenciadas em classe 4 e 5, pois estes, o raio de acção é no máximo 6 milhas náuticas. Pedras dispersas, pouco pronunciadas e de escassos metros de altura e diametro, normalmente rodeadas de areia ou cascalho e que costumam sobressair muito pouco do uniforme fundo marinho. Algumas destas pedras formam correntes ascendentes de nutrientes que criam uma proliferação de zooplâncton que, de sua vez, atraem pequenos predadores como cavalas, carapaus ou sardinhas e, isto, por sua vez atrai grandes predadores como os Pargos, Corvinas, Bonitos, Dourados etc.

Como procurar estas pedras

Para localizar uma pequena formação rochosa é indispensável uma sonda a cores que nos permita saber interpretar e activar o zoom nos últimos 10m e assim poder ver com claridade as ligeiras mudanças de cor, laranjas a vermelhos que nos indicará a presença de uma pequena pedra sem praticamente variar a profundidade. Também temos que ter em conta que sobre esta ligeira mudança de tonalidade do fundo homogéneo que a sonda nos apresenta normalmente encontramos uma massa de cores diferentes em suspensão, mais ou menos agarrado ao fundo, que nos indicará a presença de peixes. Isto será uma indicação inequívoca de que temos debaixo do nosso barco uma pequena zona rochosa, um resto de um destroço, coral com cascalho e vegetação, que pode ser frequentado por as nossas desejadas capturas.

Para encontrar estas pequenas “ilhas”, partimos dos fundos rochosos, quando mais distantes melhor, sobre os quais temos pescado á tempo, ou de pronunciados desníveis de cascalho ou areia. Assim, em relantim (3 a 5 Mph), navegamos em zigzag até alcançar uma ou duas milhas de distancia do local inicial e regressamos peneirando uma ampla zona. Pode parecer um trabalho pesado e que nos leva varias horas ou dias, muitas vezes sem peixe, mas a recompensa normalmente é muito gratificante.

Em pedras soltas entre os 40 e 100m de profundidade na nossa costa, podemos dizer com certeza que o principal convidado das nossas “ilhotas” de pedra será os bons exemplares que todos nós gostamos.

Outra opção muito pratica, mas que precisa também dedicar-lhe varias horas, é observar os barcos de arraste quando estão na faina em fundos entre os 60 e 100m. Se durante a passagem sobre um fundo homogéneo e com um rumo fixo com as redes caladas no fundo fizerem pequenos desvios e logo voltam ao seu rumo inicial, sem duvida alguma é porque evitaram algum tipo de obstáculo, por pequeno que seja. Quando tenham passado, devemos começar a nossa procura no ponto em que evitaram e com toda a certeza a nossa sonda acusará uma pedra maior ou menor, um casco afundado ou um qualquer obstáculo que os arrastões evitam para não perderem as suas artes de pesca. Uma vez sobre esse ponto, marcaremos varias vezes, e se possível as suas extremidades, para uma posterior melhor localização.

Espécies mais frequentes

As pedra apresentam uma fauna distinta segundo o lugar ou região, assim podemos encontrar Pargos, Dentões, Anchovas, Meros, Abroteas, etc. Mas em geral, se referirmo-nos a pedras soltas entre os 40 e 100m de profundidade na nossa costa, podemos dizer com certeza que o principal convidado das nossas “ilhotas” de pedra será os bons exemplares que todos nós gostamos.

Se conseguirmos pescar um bom exemplar nestas pedras e que entretanto não sejam pescadas por mais nenhum pescador, ao fim de umas semanas, quase de certeza, que outro bom exemplar se apropria e habitará a pedra, visitando-a com frequência na procura de pequenas presas e de a tranquilidade reinante na zona. Encontramos assim mesmo, dependendo da altura do ano, cardumes de peixes pelágicos, muito assíduos a navegar e caçar sobre estas pedras e arredores em busca de cardumes de peixes como a cavala, carapaus, sardinha etc.

Estes predadores, segundo a zona, serão bonitos, dourados, marlins, tubarões etc. Pode que, ocasionalmente, encontremos um bom Mero que tenha nesse lugar uma escura e escondida cova com fundo de areia onde passa despercebido longe do alcance dos pescadores submarinos e redes de arraste durante muito tempo. Trata-se de uma captura excepcional, do rei dos fundos rochosos, com permissão dos grandes Pargos. Uma captura de sorte e não de procura específica e planeada como ocorre com outras espécies. Mas que se a primeira vez foi uma captura ocasional, na segunda ocasião pode tratar-se de uma presa procurada com consciência, e é, igual ao que ocorre com os Pargos, com o passar do tempo o abrigo desse Mero voltará a ser ocupado por outro exemplar.



Como pescar e que técnica usar

Ao tratar-se de superfícies rochosas pequenas de uma extensão normalmente muito reduzida e que se encontram a uma considerável profundidade, a técnica mais frequente será o jigging, embora que com um pouco de paciência e experiencia, outra modalidades podem-nos dar muitos bons resultados, como o corrico de fundo ou a pesca á deriva com isca viva.

O corrico de fundo sobre estas pequenas pedras têm o inconveniente de que só durante poucos segundos os nossos artificiais passarão sobre as rochas, isto se calcularmos bem e passarmos exactamente sobre estas, ao tratar-se de profundidades consideráveis, fazer chegar a chumbada ao fundo custa-nos muito mais que em fundos entre os 15 e 40m, que é quando esta técnica é mais efectiva. Se a zona de pesca tem varias pedras soltas, perto umas das outras e a profundidade não é superior aos 50m, o corrico de fundo passará a ser muito mais produtivo, assim podemos marcar uma rota no GPS e ir corricando de uma pedra para outra varias vezes sem subir os nossas amostras que deverão ser de 14 – 18cm aproximadamente.

A pesca com isca viva pode-nos dar muito bons resultados, nos dias de mar calmo, podemos pescar com iscas vivas como lulas, choco, cavala. Se conseguirmos apresentar correctamente a nossa isca a uma profundidade não superior a 50m, tratasse de a técnica com a maior probabilidade de êxito, já que o Pargo e os grandes predadores que andem pela zona, uma lula que nada com dificuldade e erraticamente é uma presa impossível de rejeitar. Alias, primeiro devemos começar a pescar com, pelo menos, um par de lulas ou chocos vivos e considerar que se há corrente, mar com vaga ou de fundo, fazer chegar o isco vivo e mantê-lo no fundo encima da pedra é praticamente quase impossível nessas condições.

O jigging, por seu lado, sobre estes fundos, será a técnica que precisa menos experiencia e conhecimento do terreno, já que não são necessários preparativos excessivos. Assim, uma vez chegados ao local desejado, paramos a embarcação e deixamos cair os nossas zagaias rapidamente, ao praticar esta técnica temos que prestar especial atenção para não prender no fundo, já que se pescamos correctamente devemos deixar cair as zagaias mesmo encima das pedras e subirmos rapidamente, se a corrente não for excessiva, poderemos realizar vários lances antes de voltarmos a recuperar à posição inicial. Ao tratar-se de uma pesca de acção rápida e directa, se nos primeiros lances não obtermos nenhuma picada podemos mudar as amostras ou partir e tentar a sorte noutra pedra, é que estas pedras isoladas e de escasso diâmetro, se estão ocupadas por algum Pargo, enquanto lançamos as zagaias e caem perto dele quase com segurança que não tardará nem um minuto a jogar-se sobre elas. Aliás, esta disciplina oferece-nos a opção de conseguir diferentes espécies que ao corrico de fundo dificilmente entrarão.

De esta maneira, deveremos estar constantemente com a sonda ligada e atentos aos sinais da meia água onde aparecem os bonitos e outras espécies, que nos oferecem uma brusca picada, ou se a sonda indica-nos peixes no fundo, que poderá tratar-se de bons Pargos.

No que respeita aos anzóis mais efectivos, os seus tamanhos, cores ou o material em geral que devemos utilizar para estas modalidades de pesca, cada pescador terá as suas preferências segundo a sua experiencia pessoal.


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