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TEXTO: Filipe Cintra e José Salvador (www.diasdefaina.spaces.live.com)
Fotos: Filipe Cintra e José Luis Costa (www.wix.com/pescar/embarcada)
No artigo passado, começámos a falar num dos elementos mais importantes da pesca, as nossas montagens. Dividimos o assunto em seis partes, de forma a poder explicar melhor cada uma, e vimos em pormenor as primeiras três.

Relembrando a tal divisão:
1º: união da madre do carreto à madre da montagem;
2º: fio da madre da montagem;
3º: união da madre da montagem aos estralhos;
4º: fios e comprimentos dos estralhos;
5º anzóis;
6ª união da madre damontagem à chumbada.

Hoje vamos ver as últimas três partes.

Fios e comprimentos dos estralhos

Neste capítulo, há um ponto assente para nós: fluorocarbono. Já discutimos muitas vezes, com muitos pescadores experimentados e menos experimentados sobre o uso deste material. Muitos são da opinião de que o uso desta matéria deixa de ter significado a partir de certas profundidades, mas a nossa opinião mantêm-se.
Um exemplo comum nestas alturas: ao pescar de costa, à noite, em locais sem qualquer fonte luminosa, uns pescam com estralhos em fluorocarbono e outros com monofilamento normal — e no fim os resultados são esclarecedores. Não queremos dizer, com isto, que o monofilamento normal não tem o seu lugar; claro que tem. Não tem é lugar nos estralhos das nossas montagens de pesca embarcada!
Os comprimentos dos estralhos

Neste ponto, tudo depende muito do que pescamos e de onde pescamos; mas, genericamente, pode-se dizer que 90% das montagens que compõem as nossas caixas estão entre os 30 e os 40 cm. Depois, um pouco mais curto ou um pouco mais longo só mesmo em situações muito especiais. Para a pesca de lazer, deixamos mais um conselho: o estralho que pesca mais rente do fundo pode (ou deve) ser ligeiramente mais comprido e de uma espessura superior aos demais. Este truque tem um intuito: normalmente, o peixe graúdo come mais pelo fundo e ter um estralho um pouco mais comprido e mais grosso dá-nos maior segurança, quer na altura em que ele se joga à iscada, quer na altura de o trazer para cima. Além disso, o estralho maior dá sempre mais confiança ao peixe, quando come.
As medidas concretas dos estralhos são-nos ditadas pelo dia em si, pelo pesqueiro, pelo mar e, como não podia deixar de ser, primordialmente pelo peixe. Repetidamente ouvimos: «A maneira como o peixe come é que manda e, quando não come, temos de o desafiar!...». Para quem se inicia, é bom ter linhas na casa do 0.25 ao 0.28 para pesca dita normal; depois, com a experiência, já com o pulso mais certinho (ou seja, mal sentimos o peixe já quase que sabemos o que lá está), há que ir reduzindo as medidas, porque em muitos dias o mudar de 0.25 para, por exemplo, o 0.23 faz toda a diferença — mas já convém saber qualquer coisa do assunto, porque não se pode trabalhar o peixe da mesma forma.
Anzóis
Agora é que são elas… Existe tanta oferta neste campo que se torna bastante ingrato estar a dizer que anzol A, B ou C é que é bom. Mais, aconselhar o que quer que seja, quando cada anzol tem a sua especificidade, torna-se uma tarefa bastante complicada.
Neste capítulo, preferimos apenas deixar sugestões que nos parecem estar uns furos acima da concorrência. Para peixes de bitola maior, o Hiro Hi Perform TJN Maruseigo é um anzol que nos dá muita confiança: é muito forte, tem uma boa ferragem e, normalmente, usamo-lo no estralho de baixo pelo motivo explicado anteriormente.
Depois, o eterno Sansame Yamane, um anzol super fino, com uma das melhores ferragens que conhecemos e excelente para quem já tem algum experiência de mar, pois a sua finíssima espessura e a pequena barbela não perdoam erros. Mas para o peixe comum, como safias, sargos, choupas ou besugos, não há ‘pai’ para este anzol!
O Leoni Yuki 4000 é o verdadeiro polivalente, um misto dos dois anteriormente referidos.
A estes, há que acrescentar uns anzóis que começam a ser referência, sobretudo para pesca de lazer, os Hayabusa Pro-Value B13019 e B119 19, os Gamakatsu LS-2020N e os Takara AT 100 NIC. Todos eles anzóis de espessura fina mas de uma eficácia tremenda. Em relação a sua numeração, somos então obrigados a usar escala mais generalista, pois como todos sabemos, cada marca tem uma diferente. Pode dizer-se que, nas pescas de lazer, usamos anzóis entre o 1/0 e o nº 3 — e, mais uma vez, a situação de pesca é que manda.


O sucesso depende sempre de uma boa montagem.


União da madre da montagem à chumbada

Aqui a escolha é bastante fácil. Destorcedores de alfinete pequenos com abertura ‘fácil’, que abram sem ser necessário imprimir um enorme esforço na hora de a chumbada prender no fundo.

Isto tem duplo sentido: primeiro, porque mais vale perder uma chumbada do que uma madre completa; segundo porque muitas vezes, na hora de trabalhar ‘aquele’ exemplar, este muitas das vezes anda pelo fundo, a roçar-se em todo o que é pedra e afins, na tentativa de fuga — e também aí mais vale perder a chumbada que o exemplar do dia, quiçá do ano.

A questão da memória

Depois, a memória de cada linha também é importantíssima — por incrível que pareça, nem todas têm memória nula, provavelmente porque muitas vezes compramos linhas de fluorocarbono que não o são a 100%. Existe o teste do isqueiro que muitos de nós conhecemos, mas fica uma pergunta: se uma linha 100% fluorocarbono, quando queimada, fica preta e não deixa goma, não será que uma a 80% ou 90% fará o mesmo? Pois, ninguém sabe responder, só mesmo os fabricantes — mas esses não têm interesse em que o simples utilizador saiba exactamente o que usa. Existem variadas marcas com linhas em fluorocarbono, mas ainda conseguiu superar, aos nossos olhos, o eterno Seaguar.

 

Conclusão
Esperamos que retire daqui algum sumo para as suas próprias montagens. O que é bom para nós pode ser mau para si e vice-versa; só temos de saber adaptar o que gostamos às nossas necessidades.

No próximo número, vamos saber o que devemos usar para levar as nossas pescas para baixo, sem nunca esquecer que temos de as trazer para cima: as chumbadas! Até lá, faça uns ‘cortes e costuras’ e desenvolva as suas próprias montagens, vai ver que não se arrepende.

Até lá, boas pescas!

 
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