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Pesca no Sueste

TEXTO: Filipe Cintra (www.diasdefaina.spaces.live.com)
Fotos: Autor e José Luis Costa (www.wix.com/pescar/embarcada)
Cidade raiana, Vila Real de Santo António nasceu de uma povoação de pescadores denominada Santo António da Arenilha. Plantada à beira do rio Guadiana e no extremo sudeste do Algarve, esta pequena cidade é dominada por extensos areais, que faz com que a sua grande fonte de rendimento seja o turismo balnear, ao lado das suas tradições piscatórias.
As praias de águas mais quentes aliadas ao bom peixe sempre existem, são um chamariz a que todos nós atendemos.

Ponto de partida

Dadas as suas tradições marítimas, esta está dotada de uma excelente marina que serve de apoio não só aos navegadores que sobem o rio Guadiana, mas também às várias embarcações marítimo-turísticas locais.
Zarpando numa destas embarcações (ou embarcação própria se for o caso) e chegando à foz do rio, temos então duas hipóteses, ou seguimos para Poente e continuamos em águas nacionais ou, ao invés, seguimos para nascente e aí passamos a navegar em águas espanholas. Sendo o nosso intuito a pesca, convém então possuirmos duas licenças de pesca, uma nacional e outra para pudermos pescar em águas da Andaluzia.
Para obtermos esta última, basta dirigirmo-nos a uma qualquer loja de pesca local, onde normalmente tratam de tudo.






A pesca

Falemos então do mais importante. Na minha modéstia opinião e pelo conhecimento que tenho, devemos direccionar as nossas atenções para as águas espanholas, pois são águas mais ricas para o nosso tipo de pesca; o nosso raio de acção deverá estender-se até águas em frente a La Antilha, cerca de 10 milhas a ESTE da barra de Vila Real de Santo António.
As pescas aqui realizam-se essencialmente em locais de pouca profundidade, entre os 18 e os 30 m, e ao contrário do que se possa pensar, aqui tudo pode acontecer.
Devido ao facto de estarmos a pescar na entrada do Mediterrâneo, as águas mais quentes atraem espécies que por nós são tão desejadas.
As corvinas e os pargos das mais variadas subespécies são ‘cabeça-de-cartaz’, mas se nos seus anzóis vierem outros peixes que nunca tinha visto na vida não se admire! Exemplos disso são as corvas (uma espécie de corvina) ou os olhudos, peixes que podem atingir bons tamanhos.
Existe um contra nestas águas: a presença de uma espécie que muitas vezes nos estragas as pescas, a mucharra. Este é um pequeno peixe, uma subespécie do sargo, que existe aos milhões nestas paragens e que, devido ao seu pequeno tamanho (raramente atinge os 20 cm) e à sua voracidade, muitas vezes não deixa o peixe maior comer.
Na prática

Os iscos são variados, mas para a dita pesca normal aposte no ralo e no lingueirão. Se a dita mucharra atacar o pesqueiro, tem duas hipóteses, ou abandona o local ou opta por isco mais rijos, como é o caso da salsicha.
Por outro lado, pode sempre optar por pescas diferentes, apostando na sardinha e em montagens ‘maiores’; os sargos de quilo para cima aqui são uma realidade e eles adoram sardinha.
Poderá também optar por pescas aos grandes, como é o caso do pargo e da corvina; para a pesca a estas valiosas espécies os principais iscos serão a cavala viva e/ou o choco vivo, mas convém primeiro informar-se qual o melhor período do ano para estas pescas.
Praia, sol, boas condições, bons barcos, bons Mestres, que quer mais? Está mesmo a pedir pesca, dê um saltinho a esta povoação, vai ver que não se arrepende.


Lingueirão, outro isco com provas dadas


O ralo e a salsicha estão
entre os iscos mais eficazes


Espécies exóticas, como os olhudos (acima)
ou as corvas (fig.) também dão as caras por aqui
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