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Texto e Fotos: Jorge Bernardino (www.pescaremmilfontes.com)
A ilha das Flores situa-se no grupo ocidental do arquipélago dos Açores, sendo a maior das ilhas que compõem aquele grupo. Ocupa uma área de 142km2, na sua maior parte de terreno montanhoso.
É frequentemente considerada como o ponto mais ocidental da Europa e uma das mais belas do arquipélago, uma vez que é coberta por milhares de hortênsias de cor azul, que dividem os campos ao longo das estradas e abundam nas margens das ribeiras e lagoas. A ilha foi incluída em Maio de 2009 na rede mundial de reserva da biosfera da UNESCO. As paisagens são de cortar a respiração mas, o que mais me impressionou, foi o azul das águas cristalinas, único no mundo.


Partida…


A partida estava marcada para dia 20 de Setembro, um pouco fora de época visto que os meses potencialmente melhores são entre Maio e Julho, sendo por isso o risco de más condições atmosféricas um pouco elevado. As previsões indicavam a entrada de um furacão logo
após a nossa chegada, fazendo com que muitas zagaias ficassem fora da bagagem
(as quais vieram a fazer muita falta), o que acabou por ajudar a efectuar o check in.
Mesmo a SATA facultando o transporte de mais 10kg além dos 20kg permitidos,
ainda nos cobrou 130 euros pelo excesso de bagagem; lá tivemos que “encostar
a barriga ao balcão”… Saímos de Lisboa por volta das seis horas da manhã e,
mesmo fazendo escala em S. Miguel (Ponta Delgada) por volta das 10h30
hora local (menos uma hora que em Portugal Continental) estávamos
a aterrar em Santa Cruz das Flores. Depois de chegar, foi recolher
a bagagem (que era muita) e ir buscar o carro ao nosso amigo Yé.
Fomos directamente para as Lajes, percorrendo 18km de uma
estrada, no meio do jardim de Éden. Chegados à casa,
anteriormente alugada, foi desembalar o material e
correr para o porto, ainda levámos as canas de
spinning mas o mar era demasiado calmo
e não capturámos nada.

 

 


Foto: Lagoa Funda

Dia 2
Com um barco emprestado, sem sonda e com três pontos no GPS lá fomos nós para a nossa primeira saída de zagaia. Mesmo com estas condições as capturas foram muito boas, com bons enxaréus, boas bicudas e anchovas.
O enxaréu foi o peixe que mais me impressionou em termos de tamanho e força; um bravo combatente que não quer largar a segurança do fundo por nada deste Mundo. No meio da pescaria o motor parou e começou o stress. Após várias tentativas finalmente lá pegou, mas não passava das 1500 rpm. Com o coração nas mãos lá conseguimos chegar à bela marina, a qual está ainda em construção, nas Lajes. O pior foi dar o peixe que não devolvemos. Tivemos de ir de porta em porta mas no fim lá conseguimos.
Por vezes, na mesma descida de zagaia, tínhamos perto de dez ataques e nenhuma ferragem, culpa das muitas anchovas e bicudas
Dia 3
Sem barco, decidimos fazer spinning por terra, na ponta norte da ilha, mais propriamente junto ao porto de Ponta Delgada, onde um amigo nosso tinha apanhado umas anchovas há dois anos atrás. Caíram três amostras na água e três anchovas ferradas, todas de bom porte mas não acabou por aí. Até a maré vazar ainda houve muitas e boas capturas.
Este é um aspecto importante para quem quiser visitar a ilha e fazer uma “spinnadela”; as anchovas e algumas bicudas de pequeno porte encostam mais a terra com maré-cheia e, com a vazante, vão-se afastando gradualmente para cabeços mais afastados, obrigando a que se lance para mais longe.
Dar ao braço…
Em busca de um novo barco, deslocámo-nos a Santa Cruz das Flores. Procurámos o Sr. Vasco da Zagaia Flores" e lá conseguimos barco para os próximos cinco dias. A partir daí a palavra de ordem foi “zagaiar”. O jigging foi feito nas mais diversas condições, dos 30 aos 120 metros, com excelentes capturas e onde uma grande parte do peixe foi devolvido ao mar. Destaque para a devolução de praticamente todos os meros; apenas os que não recuperaram da descompressão tiveram que ficar irremediavelmente no barco. O primeiro dia (destes cinco com a nova embarcação) foi o de mais capturas, com muitos Lírios, um capturado pelo Alexandre e que pesou 18kg. Pelo meio ainda tive um mero que me partiu o 0,90mm e um outro que consegui capturar, o qual pesou também 18kg. Anchovas,
bicudas haviam aos montes e nos restantes dias os reis foram sem dúvida os meros, com a captura de mais seis exemplares, todos acima dos 15kg, chegando mesmo alguns deles a atingir os 20kg. Perdemos muitas zagaias, algumas delas eram modelo único, ainda em estudo, e outras foram literalmente mutiladas pelos dentes das bicudas e anchovas.
Em duas horas tínhamos sete anchovas, algumas acima de 6kg. De todas as espécies que capturei de terra é sem dúvida a que mais luta dá...
BÓIA? PORQUE NÃO?

O potencial da ilha não fica somente pela pesca com amostras, seja ela feita de barco ou de terra. A pesca à bóia é sem dúvida uma fonte de emoções muito grande e que serve para descomprimir das fortes emoções do spinning e jigging. A fartura é muita e peixes como os sargos não são muito desconfiados, para além do tamanho que alguns atingem. Os iscos que mais utilizámos foram os bonitos capturados à zagaia, os quais também serviram para engodar e pôr os sargos a comer à superfície. No entanto, a sardinha e o peito de frango também são uma boa opção. Também é conveniente estar bem preparado pois em alguns locais pode não ser apenas um sargo e ser uma “coisinha” um pouco mais substancial como um pargo…
OBRIGATÓRIO!

- Não esquecer um impermeável
- Cinto de combate é indispensável
- Zagaias entre 150 a 300g; as cores que melhor funcionaram foram laranja forte, branco, rosa e combinação rosa/azul
- Assist hooks 13/0
- Canas com acção de 50lbs
- Carreto forte e com boa capacidade de linha multi 80lbs
- Chicotes em mono de 0.90 a 1.20mm
- Movimentos lentos e junto ao fundo para meros e pargos, rápidos e com variações para pelágicos
- Força nos braços
Saudade…
No último dia deslocámo-nos à Fajã, local onde a fantástica paisagem nos obrigou a parar o carro para tirar fotografias. As quedas de água são de cortar a respiração. Depois de chegarmos ao porto, entramos por uma estrada de terra batida até uma baía com um aspecto excelente.
Foi armar o material e em duas horas já tínhamos sete anchovas, algumas acima dos 6kg. De todas as espécies que já capturei de terra a anchova foi,
sem sombra de dúvida, a que mais luta me deu. É maravilhoso, saltos de meio metro e arranques endiabrados. Que mais se pode pedir … Rapidamente chegou o dia da partida e lá viemos, tristes por sairmos do paraíso, mas contentes por tê-lo conhecido. Para mim, é o melhor sítio de pesca do arquipélago dos Açores e talvez da Europa.
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